Tuesday, April 8, 2008

Dias e dias

para Sérgio Freitas, em seu aniversário 

Outro sol amanhã
nascerá em outro dia.

Outro céu surgirá
nas pupilas vazias.

Será outra a manhã
nessa estrada inventada

a cada novo passo
de outra incrível jornada.

E outro sopro de vento
na tua face recente

levará o passado,
engendrará presentes

que amanhã serão
pouco mais que história

levada pelo tempo
às margens da memória

que se renova e vive
a cada passo dado

nascido a cada sol
dentro em ti despertado.

(Robertson Frizero Barros)

Azul e amarelo - fotografia de Sérgio Freitas
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Wednesday, October 3, 2007

Caronte

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Monday, September 3, 2007

[Não me negues, jamais, a tua pele]

'Jovem fugindo de Eros', Bouguereau

Não me negues, jamais, a tua pele
roçando em minha pele enceguecida,
nem me deixes a implorar por tua boca
a recusar-se a um beijo, por vontade,
e mesmo evite deixar teus cabelos
longe do toque dos tristes dedos meus
pois só a um deus, amada, é facultada,
essa frieza de emoções distantes
e de recusas, ainda que jocosas…
Eu sou humano, amor meu, tenho suores,
e arrepios, e sofro e me desato
se tu me negas um beijo, por recato,
Ou me rejeitas carinho, por vaidade!

Poema sexto da obra

dedicada à minha esposa, Tatiana

(2000)
(Robertson Frizero Barros)

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Wednesday, August 15, 2007

Instante

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Tuesday, July 10, 2007

Flor Bonita

Sou uma parte de mim mesmo
Semeada e regada a esmo
Florescendo mil segredos…

(Robertson Frizero Barros)

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Tuesday, June 12, 2007

Fotografia

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Monday, April 9, 2007

A paixão

Pierre-Auguste Renoir - 'Dança na Cidade'

A paixão é um palácio
de infinitos espelhos
onde se dá o eterno
baile da insana cobiça.

Quando lá se chega,
já a orquestra anima
os casais que rodam
- felizes, sofridos -
nos salões da mente:
ali estamos, desejo
ou objeto desejado,
a girar na contradança
que dentro em nós jamais cansa.

A rapidez dessa valsa,

o rubor dessa vontade,

o calor da fantasia,

as ilusões da saudade…

tonteiam nossa visão.

Mas os espelhos nos dão

- ainda que seja a esmo -

a indissoluta verdade:

no sonho de ter o outro,

valsamos nossa vontade

de encontrarmos a nós mesmos.

  

Da obra

(2007)
(Robertson Frizero Barros)

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Wednesday, January 24, 2007

Das Estrelas Só Nossas

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Monday, December 4, 2006

A Casa da Memória

De Chirico - Mistério e Melancolia de uma Rua - 1914

A casa da memória
- onde convivem em silêncio
o passado que ocultamos
e o que em nós nos assombra -,
é ampla e alta
e espalha-se
em multitudes vastíssimas
de aposentos escuros,
quase sempre impenetráveis.

Seus corredores de assombro
- estreitos como uma culpa,
odiosos como um remorso -
não levam a lugar nenhum
aos quais desejemos chegar.

Suas portas
jamais nos guiam
para onde dizem levar.

(Pobres dos que tateiam
suas paredes arredias
em busca de companhia
ou de um lume qualquer,
uma guia,
um corrimão,
um fio de Ariadne…
Os passos pisam sempre em falso
nessa mansão de lembranças:
abre-se uma porta em vórtice
e o tempo escoa pelas alas
sombrias da estranha morada
até que
a casa dos avós que desprezávamos
e a primeira paixão despedaçada
e o pequeno furto da bala de goma
na rua da igreja de nossa primeira comunhão
e o decote em volúpia da prima distante
e a mentira que feriu o melhor dos amigos
e o verso saqueado de um Camões obscuro
e o crime inconfessável cometido em pensamento
saúdam-nos com um sonoro tapa na face
e partem céleres antes mesmo que se possa oferecer
a outra face descarnada…)

O que sequer suspeitamos
é que em cada sala deixamos
um pedaço que se esvai
de nosso instante presente
a cada nesga de tempo
que ali se queira guardar.

Dizem que há os que ali deixam
lembranças de felicidade -
mas como afastar o espasmo
da dor que lhes é vizinha
ou do pranto que se seguiu
àquela alegria que um dia
vestiu-se de eternidade?

A morada da memória
é feita da nostalgia
à qual chamamos História.

Felizes os que se esquecem
- canhestramente felizes -,
os que vivem nos umbrais
dessa casa amarga de ausências!

Da obra

(2007)
(Robertson Frizero Barros)

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Sunday, November 26, 2006

Moldura

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Posted by Frizero at 13:18:03 | Permalink | Comments (5)