Wednesday, November 7, 2007

O Y da questão

Valesca de Assis considera que ele “já nasceu cronista”.  Luís Augusto Fischer, seu ex-professor de colégio, considera-o um “cronista sereno que nunca esconde e pelo contrário faz questão de expor sua tranqüila humanidade”. O fato é que Rubem Penz, portoalegrense que transitou por carreiras tão díspares quanto a Educação Física e a Publicidade, lançou em 2007 seu primeiro trabalho já com o respaldo da crítica especializada e uma indicação para o Prêmio Açorianos de Melhor Livro de Crônicas. Sua experiência como cronista, contudo, não é novidade: Penz mantém um registro quase diário de crônicas no Rufar dos Tambores e tem seus textos publicados em diversos jornais do Brasil e do exterior. Além disso, ele é músico e dedica-se ao grupo de música instrumental Versão Brasileira.

A pedido do Locutório, Rubem Penz falou um pouco sobre o ofício de escritor e sobre o gênero ao qual dedicou seu primeiro livro, a crônica.




Locutório: Carlos Heitor Cony, um apaixonado pela crônica, declarou que ela ainda é vista, na literatura, como “um gênero tipicamente marginal (…) pois não pertence ao jornalismo, por não conter informação e também fica à margem da literatura, por ser vista como um texto menor”. Para ele, a crônica, mais que em outros gêneros literários, é “o eu se expondo, (…) mesmo que o eu não esteja explícito no texto”. Como você vê a crônica?


Rubem Penz: Bom, em primeiro lugar, marginal é um termo muito libertador, e isso é ótimo. Talvez aí comece a minha escolha pessoal por ser cronista. Fui apresentado para este estilo literário por um pequeno grande livro: O Gigolô das Palavras, de Luis Fernando Verissimo (LFV). Nele, um ensaio teórico da Professora Maria da Glória Bordini explica a liberdade de criação e composição que LFV experimenta, justamente por ser cronista. Outra maravilha nos textos do filho do Erico é o humor: sonhei, um dia, também ser capaz de desfilar ironia e acidez com tanta suavidade que, ao invés de gerar desconforto no leitor, provocasse risos. Então, ainda lá nos anos oitenta, é com Verissimo que a crônica se torna um best seller. Ao somarmos a liberdade de criação, o exercício da ironia e o sucesso, o resultado é: quando eu crescer, quero ser cronista! Comigo foi assim… Com relação à minha visão da crônica na cena das letras, a considero a dona de casa da literatura. O espaço da trivialidade, do cotidiano, dos afazeres básicos e, por isso, comum a todos. Tanto mais competente será o cronista, quanto melhor retratar o prosaico. É então que o leitor se espanta e se rende: o dia-a-dia, aquilo que ele viu, experimentou ou sentiu, transforma-se em literatura. O prazer de escutar alguém me dizer: “ali na tua crônica sou eu”, ou “parece ter falado para mim”, não tem preço.


Vários escritores brasileiros - entre eles o próprio Cony - afirmam que a crônica é um gênero literário tipicamente brasileiro - um substituto nosso ao que em outros países se faz através do artigo ou do ensaio. Você concorda com essa idéia? O que faz com que a crônica seja tão presente no panorama literário do Brasil?


Ser a crônica um produto nacional ou não é uma discussão irrelevante. O que importa é a qualidade que o gênero alcançou em páginas brasileiras. E aí chegamos no axioma do Tostines: vende mais por que é fresquinho ou é fresquinho por que vende mais? Isto é: a crônica brasileira é muito lida por que tem bons escritores, ou tem bons escritores por que é muito lida? Este círculo virtuoso oferece ao leitor uma quantidade de crônicas que não se vê em jornais estrangeiros. E, agora com a internet, de blogs. Só está faltando virar futebol e sermos comprados a peso de ouro pela Itália e Espanha. Nada mal, hein? Mas, em tempo: temos bons ensaístas e articulistas também, que se diferenciam dos cronistas pela especificidade dos temas que abordam.


A crônica é um gênero que floresceu nas mãos de jornalistas como João do Rio, Stanislau Ponte Preta (Sérgio Porto) e Paulo Mendes Campos, entre outros. Você é da área de Publicidade e Propaganda. Em que sentido sua formação afeta seu trabalho como cronista e diferencia-o de seus colegas cronistas que vêm do jornalismo?


Vejo uma linhagem de cronistas nascida do desejo (e da capacidade) de bons jornalistas se libertarem das amarras impostas pela profissão – olha a liberdade aí de novo… Aqui em Porto Alegre, dou como bom exemplo o Nilson Souza, que considero um Paulo Mendes Campos entre nós. A entrada do Nelson Rodrigues, com sua bagagem de cinema e de teatro, começou a abrir o leque de opções na crônica, cujo herdeiro pode-se considerar o Arnaldo Jabor. Quando o multimídia LFV entrou na cena, sendo ele publicitário, jornalista (até astrologia escreveu), cartunista, músico, roteirista etc, liberou geral. Nos anos oitenta, redatores publicitários começaram a trilhar o caminho da crônica. Destaco Martha Medeiros, Ricardo Silvestrin e Cláudia Tajes. Algumas características dos publicitários são o texto ágil, o inusitado na abordagem e a concisão. O pessoal da propaganda costuma ser bem sedutor ao escrever – isso é quase uma imposição de ofício. Aí, mais do que tudo, se diferenciam bastante dos jornalistas. No meu caso, além da redação publicitária, ainda tem o lado músico: nenhuma frase deixa de passar pelo crivo de quem lida com as harmonias e os ritmos. A escola que tive na propaganda e a influência da música me ajudam muito, com toda certeza.


Como é o seu processo criativo? De onde parte sua inspiração para as crônicas?


Existe sempre um catalisador, um gatilho que faz o cronista começar a escrever. Pode ser algo que acabou de ler, que assistiu, que ouviu falar. Pode ser uma emoção nova, um vexame, uma piada. Uma frase solta pode criar verdadeiras teses quando sensibilizam o cronista. Sensibilidade, aliás, é a palavra chave para qualquer manifestação artística. É por isso que não raros artistas sofrem: sentem mais intensamente do que os seus pares. Agora, e aqui tem o lado bem publicitário, a inspiração pode vir do desafio. Funciono muito assim: quando me provoco para escrever sobre determinado tema, me faço capaz. Quem já precisou escrever cartão de Natal temático para empresas de Geometria & Balanceamento, não se acovarda fácil! Hoje em dia, depois de começar a estudar com o escritor Luiz Antonio de Assis Brasil, tenho me preocupado muito com a forma de escrever. Este é um desafio por vezes maior do que o tema.


Sua produção é bastante intensa, tanto na publicação periódica em seu site Rufar dos Tambores quanto nos diversos jornais nos quais suas crônicas são publicadas, aqui e no exterior. Como é o seu contato com o público? Há diferenças entre os textos que você publica na Internet e os que saem nos jornais? E os leitores, reagem de forma distinta?
 

Minha produção é resultado de uma rotina de trabalho auto-imposta em abril de 2002: no mínimo, uma crônica por semana. Proposta tão séria como um emprego na redação de jornal. Germânica. Afinal, eu precisava saber se o poço das idéias secaria. A internet foi o veículo. Num instante, centenas de pessoas já estavam me lendo e espalhando as crônicas em suas listas pessoais. Em 2004, cursei uma oficina com a escritora Valesca de Assis. Além do grande aprimoramento laboral, ela me apresentou para outros cronistas. Meus textos passaram a ser publicados na sessão de artigos do jornal Zero Hora, de modo esporádico. Quando uma leitora virou repórter do Jornal Comunidade News (EUA), ela levou consigo o Rufar dos Tambores. Agora, outros dois veículos também publicam. Mas nem sempre o texto é adequado a públicos tão diferentes. Nestes casos, escrevo mais de um. O leitor da internet é mais comentarista, mais reativo. Nos jornais, o retorno é pouco.


Você é também um contista de valor, e muitas de suas crônicas publicadas no seu site Rufar dos Tambores namoram com o conto. Há, para você, uma diferença essencial entre os dois gêneros?


Antes de mais nada, eu divido os cronistas em dois grandes grupos: os monocrônicos e os policrônicos (isso é o tema de uma crônica ainda inédita). Os primeiros escrevem sempre da mesma maneira. Os outros, se apropriam do maior número de estilos e formas. Daí, temos a crônica-carta, crônica-anúncio, crônica-conto, crônica-ensaio (que é quase crônica-crônica), crônica-poesia, crônica-paródia, crônica-resenha e tantas outras combinações a se imaginar. A crônica-conto é um dos mais deliciosos casamentos. A diferença entre um conto puro e um conto crônico é, justamente, o tempo (chronos): neste último, o sub-texto estará a serviço de um tema premente, pulsante, crônico. Faço uso desta combinação e de todas as outras. Se já não ficou explícito, reitero: meu objetivo é ser um escritor policrônico. Ou mais: devasso!


O cronista Rubem Penz lê outros cronistas? Como avalia a produção atual do gênero?


Leio cronistas todos os dias. Acompanho a ZH e, ali, me sirvo de todos os 3 textos do gênero – quando não são 4. Cardápio variadíssimo em estilos e opiniões. Sempre que posso, leio os cronistas de outros jornais, também. Na Veja, sempre. Na internet que diminuí bastante: lia blogs e, de um tempo para cá, o faço só de vez em quando. Citando alguns, esquecerei de outros… Em Porto Alegre estamos com uma produção farta no gênero. Mas um pouco acomodada. São poucos os textos arrebatadores. Menos ainda os surpreendentes. Parece mentira, mas o LFV ainda é quem mais me agrada. Não vejo a hora de ele voltar a infernizar o governo.


O Y da questão (Editora Literalis) é seu livro de estréia, e começa sua carreira com uma indicação ao Prêmio Açorianos de Literatura, um dos mais importantes do estado do Rio Grande do Sul. Como surgiu a idéia do livro? Qual sua linha norteadora na escolha dos textos que compõem o livro? Como você recebeu a notícia da indicação ao Açorianos?


Faz tempo que eu olhava para o dilema do ovo e da galinha: o escritor só existe depois do primeiro livro, ou o livro só existe depois de alguém, primeiro, ser escritor. Outra dúvida era se, antes do livro, eu precisava ser cronista de um jornal de grande circulação, ou só chegaria a sê-lo depois de um primeiro livro publicado. Tentei com o Y acomodar a questão. O fato de eu ser finalista do Açorianos já no primeiro título indica um bom acerto de tempo: soube esperar meu texto amadurecer para, só então, nascer como escritor. Minha formação autodidata e para lá de heterodoxa me fazia morrer de medo da academia e da crítica literária… Tenho a esperança de que o livro, agora, seja um facilitador no intento de constar nas páginas da imprensa. As crônicas não foram selecionadas por mim. Pensei que seria melhor entregar para alguém menos comprometido fazer o julgamento. E lá estão as competentes Annete Baldi e Márcia Ivana de Lima e Silva. Outro acerto, sem dúvidas. O resultado foi melhor do que eu poderia alcançar.


Que pontos você destacaria no seu livro para o futuro leitor de “O Y da questão”?


Muito bem, é a hora de tentar vender, não é? Então digamos que, com base na definição de cronista como sendo a dona de casa da literatura, o Y da questão é um convite para ir até a minha casa. À mesa, prometo o trivial bem servido. Sofás confortáveis, cerveja gelada (Suco? Vinho?), música de bom gosto e uma conversa daquelas de fazer amigos de uma vida inteira no primeiro encontro. Franqueza acima de tudo, um pouco de ironia, suavidade. A orelha de Valesca de Assis é o perfumado jardim da entrada. A apresentação de Luís Augusto Fischer faz as honras ao chegar. A arte gráfica de Alex Medeiros se encarrega do conforto aos olhos. O leitor pode escolher varar a madrugada batendo papo, ou, em crônicas espaçadas, sorver o livro como quem dá uma passadinha só para tomar um mate, prometendo voltar amanhã. No fim, pequenas revelações a cada crônica. Esta será a melhor parte da visita: o prazer em conhecer!


Bem, Rubem, estamos na torcida pelo Prêmio Açorianos e agradecemos pela entrevista ao Locutório.  Boa sorte e sucesso!

Muito, muitíssimo grato ao Robertson pela entrevista, e por sua companhia até o final.



O livro de Rubem Penz, O Y da questão, está à venda nas grandes livrarias - inclusive pela Internet; também no site da Editora Literalis e na Feira do Livro de Porto Alegre, na banca da própria editora.
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Monday, November 5, 2007

Ajuda




Meiga diz: oi…tudu bem??!?!

CO diz: Em que posso ajudar?

Meiga diz: vc vem sempre por aki??!?!

CO diz: Estou sempre por aqui. Em que posso ajudar?

Meiga diz: nossa…ke legau…… i vc frequenta este siti faz mtu tempu??!?!

CO diz: Data de instalação - Ago 15 2003.

Meiga diz: faz mtu tempu…hein…gatu……………… 2003!!!!!  i u ke vc faz da vida??!?!

CO diz: Posso fazer sugestões para melhorar seu desempenho por aqui.

Meiga diz: eu to loca p melhorah meu disempenhu……………… vc me ajuda msm??!?!

CO diz: Em que posso ajudar?

Meiga diz:nossa…komu vc eh educadeenhu!!!!! faz tempu ke eu naum teclu kom 1 kara taum legau!!!!!

CO diz: Obrigado.  Em que posso ajudar?

Meiga diz: eu to ficanu kom 1 karinha mas axu ke ele tah ficanu kom otra……………… ele vai p balada sozinhu i naum ke + ke eu vah kom ele……  ele diz ke me ama……  u ke vc axa??!?!

CO diz: “Ele está ficando com outra”.  “Ele vai para a balada sozinho.”

Meiga diz:vc axa ke i p balada sozinhu eh u ke??!?!

CO diz: “Ir para a balada sozinho” = “namorar, flertar, azarar, procurar parceiros para relacionamento sexual fortuito”.

Meiga diz: eu sabia!!!!! akele filha da p……………… eu nunca acreditei nessa historia……………… u ke eh issu??!?!

CO diz: “História” = “Ciência que estudo da ação humana ao longo do tempo através concomitantemente do estudo dos processos e dos eventos ocorridos no passado”.

Meiga diz: eh issu aih!!!!! essi kara eh passadu…naum keru + sabe dele!!!!!

CO diz: Em que posso ajudar?

Meiga diz: imagina…vc jah me ajudo pacas!!!!!  olha…vlw tc kontigu…vc eh mtu gracinha…obrigadu pela ajuda!!!!!

CO diz: Obrigado. Em que posso ajudar?

Meiga diz: pena eu naum te 1 gateenhu educadeenhu feitu vc……………… qm sabe a genti naum c fala nu celulah 1 dia dessis aih…ou c kruza nesta sala……………… eu entru sempre kom u nick d meiga…i vc…CO??!?!

CO diz: CO está sempre às ordens. Em que posso ajudar?

Meiga diz: xau gatu …fui!!!!!

Meiga sai da sala.

CO diz: O Corretor Ortográfico Automático agradece e espera sua próxima visita.

Xanda entra na sala.

Xanda diz: i aih…galera!!!!! alguem afim d tc??!?!

CO diz: Em que posso ajudar?

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Wednesday, October 3, 2007

Divulgação: ‘À Janela da Memória’

Lançamento do livro 'À Janela da Memória', de Sérgio FreitasEm tempos nos quais alguns escritores louvam-se a si mesmos por não terem quaisquer ligações com o passado, À Janela da Memória surge como uma esperança nova.

Este primeiro trabalho de Sérgio Freitas é repleto de razões para o encantamento do leitor. O autor é poeta e fotógrafo, aprendiz em duas artes nas quais ninguém jamais é mestre e sempre há o que se cultivar, o que se aprender e reinventar. Esse talento multifacetado oferece nuances que tornam o trabalho de Sérgio Freitas algo único em nossa geração tão acostumada a respostas rápidas e vazias, a uma vida célere e quase sempre pobre de sentido.

Em Sérgio Freitas, o poeta raramente é um narrador. Sua poesia é composta de breves olhares sobre a experiência humana – não por acaso, as paisagens e objetos em sua poesia pairam ao redor dos sentimentos, como se suspensas no momento da escrita para que se possa penetrar com mais leveza nessas sensações indizíveis que a alma sente e não explica jamais. Por isso o ritmo de sua poesia é apenas sugerido, nunca marcado ou imposto, mas está lá, presente – é como um pulso que só sentimos quando nele prestamos atenção absoluta, mas que sustenta a vida e sem o qual tudo desmoronaria.

São poemas que sugerem, instigam, sem jamais dar respostas – algo que, enfim, jamais coube à poesia fazer. Por isso há esse interlocutor em diversos poemas, esse “tu” indefinido com quem o eu-lírico dialoga constantemente: é o poeta vivo e, a um tempo, sua própria alma que ele imagina ausente; é também a alma do leitor, que acompanha esses momentos em suspensão como quem se deslumbra com a imagem captada por uma câmera etérea feita de palavras. O fotógrafo Sérgio Freitas, por sua vez, faz poesia partindo das sutilezas presentes nas imagens que capta. Com um olhar de poeta, percebe, no mais estático cenário, todos os momentos que por ali transitaram, o passado ali contido, que jamais lhe escapa ao sentimento. Em suas janelas isoladas, sem a interferência humana, vêem-se multidões de rostos e de histórias de vida que por ali passaram. Ele convida-nos a debruçarmos nossas lembranças onde outros tantos, que por ali estiveram, fizeram o mesmo; mirando as mesmas paisagens de outrora, ou vendo através daquelas janelas panoramas da nossa própria alma, repensamos a fragilidade da vida e seu caráter passageiro.

À Janela da Memória é a esperança nova de que está a se consolidar uma nova geração de artistas que, como Sérgio Freitas, sabe que não se constrói um ser humano em plenitude simplesmente ignorando o pretérito, esquivando-se da memória ou fingindo-se fruto de uma contemporaneidade que se torna passado também, a cada dia. Seus poemas de instigantes imagens e suas fotografias carregadas de lirismo são convites ao leitor para que conheça não só a si mesmo um pouco mais, mas também esse artista de talento que as Letras Portuguesas ganham com o lançamento deste livro.

Robertson Frizero Barros

*O livro “À janela da Memória”, de Sérgio Freitas, será lançado em 05 de outubro de 2007, na cidade do Porto, Portugal. O autor é conhecido dos fãs do Madredeus por seu trabalho de divulgação do grupo em websites como Madredeus - O Sonho e Teresa Salgueiro - Alma e Voz. Ele também mantém um blog com fotografias e textos, o Superlativo Relativo Sintético. [veja links no menu ao lado]

**Clicando na imagem, pode-se acessar o site da editora. “À Janela da Memória” também estará à venda, a partir de 05 de outubro de 2007, no site da FNAC.pt e da LUSOPOEMAS - http://www.luso-poemas.net e em livrarias da grande Porto, Portugal.

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Caronte

Este texto está indisponível até segunda ordem…

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Friday, September 28, 2007

Longo prazo

Lula e Mangabeira Unger - nunca na história desse país houve tanto ministério

Uma votação no Senado Federal derrubou, esta semana, a intenção do governo Lula de criar mais um ministério, mal escondido sob o nome questionável de Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo - ou algo que o valha.  Por trás do veto, que representou a extirpação de um ministro ligado ao partido do vice-presidente José Alencar. Roberto Mangabeira Unger, que teve cerimônia de posse no cargo antes mesmo da aprovação do novo ministério no Congresso Nacional, precisaria, segundo a estrutura planejada pelo governo Lula, da assombrosa quantia de oitenta e três servidores em cargos de comissão, devidamente criados na mesma leva do decreto de junho de 2007 que estabeleceu um total de seiscentos e vinte e seis novos cargos comissionados na administração pública.

O mais curioso, contudo, é que a recusa dos senadores em aprovar a criação de tal grandiosa estrutura não tem nenhuma relação com questões éticas, com um desejo sincero de enxugar a máquina pública ou de impedir o governo de estabelecer um ente no Governo Federal cuja função poderia ser muito bem exercida pelo já existente Ministério do Planejamento.  Ao que tudo indica, o veto dos senadores foi uma manobra do partido político do presidente do Senado Federal em represália pela recusa do governo Lula em conceder àquele grupo certos cargos de importância em empresas estatais como Eletrobrás, Petrobrás e outras de igual relevância.

Nossos políticos funcionam assim, à base de trocas as mais escabrosas.  Em todas as democracias do mundo o governo é construído por meio de negociações, isso é fato. Mas onde em outros países há o interesse comum, e os debates permanecem no campo das idéias, aqui o fisiologismo impera e sufoca.  Os mesmos parlamentares que vetam o novo ministério estão encaminhando a aprovação da CPMF - o imposto sobre movimentações financeiras com apelido de “contribuição provisória”.  O governo Lula, que reclama constantemente dos custos de manutenção da máquina estatal - justificativa maior para a manutenção do imposto sobre o cheque -, gerou um acréscimo mensal de  R$23.200.000,00 por ano com a criação dos tais novos seiscentos e vinte e seis cargos em comissão. 

Tudo é tão descarado que os partidos políticos não escondem suas pretensões nem mesmo quando reclamam para si posições na diretoria ou na presidência de empresas públicas.  Grandes corporações como a Petrobrás e Eletrobrás, construídas com o dinheiro do contribuinte, merecem diretores e presidentes de profundo conhecimento técnico, mas estão sendo loteadas pelos políticos com o claro interesse de obtenção de vantagens pessoais.  Que outro interesse teria um político em indicar o diretor de uma Petrobrás, ou o presidente de uma Eletronorte?  Afinal, assim funcionava o Valerioduto, que se aproveitava de verbas de publicidade das empresas estatais - as quais dificilmente são questionadas, por serem de difícil mensuração em comparação aos serviços prestados - para encher os cofres dos partidos e de seus representantes do povo. Curiosamente, um dos primeiros ministérios extras criados por Lula, ainda em seu primeiro mandato, foi uma secretaria especial cuja função era a de gerenciar as verbas federais de publicidade, a cargo de Luís Gushiken…

Em entrevista a uma emissora de televisão, Lula afirmou que a tal Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo é essencial para o governo, pois é através dela que o presidente pretende preparar o Brasil para o bicentenário da independência em 2022.  Em um país como este, no qual ninguém consegue trabalhar com planejamentos futuros, é até plausível que sejam necessários oitenta e quatro servidores públicos pagos a peso de ouro para construir algum projeto de país que ainda funcione daqui a quinze anos.  Infelizmente, a descrença que se instala no país, em relação às instituições políticas, faz-nos crer que as ações de longo prazo às quais Lula se refere sejam outras, bem mais pragmáticas, repletas desse fisiologismo que o Partido dos Trabalhadores dizia tanto desprezar.

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Monday, September 24, 2007

O silêncio eloqüente

Marcel MArceau

É uma terrível ironia ter que usar as palavras para falar de Marcel Marceau - ele foi o mestre do silêncio. O ator francês, falecido em 23 de setembro de 2007 aos oitenta e quatro anos, sempre foi um dos mais eloqüentes exemplos de que a arte precisa de muito pouco para ser grandiosa.  Sem o apoio de cenários elaborados, abstendo-se da palavra em uma forma artística - o teatro - na qual ela é, atualmente, por vezes tão mal aproveitada, Marceau encantou gerações e tornou-se um artista reconhecido em todo o mundo.  Ele elevou a mímica ao patamar de arte maior, e sua imagem tornou-se um ícone dessa forma de expressão artística. Ele mesmo um herói da Resistência francesa na Segunda Grande Guerra, seu grito de resistência soou mais alto que inúmeros discursos vazios de seus contemporâneos - não por acaso, uma de suas encenações mais conhecidas tornou-se um símbolo dos jovens que lutaram contra a ditadura de esquerda na famosa Primavera de Praga. Marceau soube, como poucos, levar seu espírito de contestação aos palcos - sem alarde ou pirotecnia, mas gritando em seus gestos e sorrisos o que mil vozes contemporâneas já não mais conseguem fazer com sua mesma verdade, com sua verve e gênio.

O resto é silêncio.

Posted by Frizero at 13:51:32 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, September 19, 2007

[Que assim seja]

'Aurora Boreal - Lea Kleiner, artista chilena

Na mão de Deus,
como em um vale,
dois caminhos se unam
em uma só semente:
que assim seja o nosso amor.

Nos campos sem fronteiras
onde cai a tarde,
numa brisa leve
quando os pássaros
juntos voem
para além do horizonte:
que assim seja o nosso amor.

Que belo é o teu amor
dentro do coração,
pois tu, ao mirar-me,
nunca és
noturna ou distante
e sim acolhedora
como em um remanso.

E se algo há
de noite em teu olhar,
deve ser assim
como de uma noite amiga
cálida como o verão,
singela como uma espiga,
com tuas grandes pupilas
não se abrindo ao nada
e sim ao infinito
e com esse brilho do Senhor
palpitando nas estrelas:
que assim seja o nosso amor…

Luis Felipe Yañez

poeta chileno
[poesia inédita, 2007]
(tradução do espanhol por Robertson Frizero Barros)

Posted by Frizero at 18:55:34 | Permalink | Comments (2)

Tuesday, September 18, 2007

Pedagogia do opressor

Chávez, o 'pai dos pobres' - eles sempre se intitulam assim...As democracias parecem se governar cada uma à sua maneira local.  As ditaduras, ao contrário, são todas iguais.

A paráfrase da frase lapidar de Leo Tolstoi na abertura de Anna Karenina surge diante da mais nova medida anunciada por Hugo Chávez, presidente que se pereniza no poder em seu país, a Venezuela, por conta de uma dominação dos meios políticos e sociais que já não pode ser vista de outro modo a não ser como uma ditadura: Chávez afirmou que todas as escolas venezuelanas, incluindo as da rede privada de ensino, deverão adotar ainda em 2007 o novo currículo por ele desenhado. A idéia do presidente venezuelano é que a “nova Educação bolivariana” ajude a “desenvolver valores de cooperação e solidariedade”.

A reforma na Constituição proposta por Chávez e ainda em fase de aprovação pela Assembléia Nacional da Venezuela - composta exclusivamente por seus partidários - reconhece a existência de instituições de ensino particulares. Contudo, Chávez disse que as escolas que não adotarem o novo sistema educacional socialista serão fechadas. Para ele, o sistema de educação privado na Venezuela é baseado em valores capitalistas e “organizado de maneira a negar Educação para o povo”.

Como auto-intitulado “pai dos pobres”, Chávez declarou que a reforma educacional visa a atender a população mais carente, já que a Educação foi ignorada pelos governos anteriores. Por trás das boas intenções do ditador venezuelano, está um novo currículo que servirá como base de doutrinação dos estudantes.

Hitler: tudo pelas criançasComo outras ditaduras, sejam elas de esquerda ou de direita, Hugo Chávez trabalha com a idéia de formação de seguidores a partir da juventude. Assim funcionava no Uzbequistão, na Alemanha hitlerista, no Brasil dos governos militares, na China maoísta. As reformas educacionais sempre fizeram parte do pacote de medidas dos ditadores, junto com a perseguição aos opositores, ao fechamento da imprensa livre, à sustentação de uma rede de apoio internacional com o uso do dinheiro público - generosamente cedido aos países aliados, mas distribuído à população de forma minguada e recheada de discursos solidários que, no fim das contas, eram materializados em cupons de racionamento e em muita privação. Na Educação, contudo, os efeitos dessa dominação dos ditadores é difícil de mensurar. No Brasil, por exemplo, o uso pelos militares de disciplinas como Educação Moral e Cívica (EMC), Estudos dos Problemas Brasileiros (EPB) ou Organização Social e Política do Brasil (OSPB) para o controle da juventude teve um efeito devastador: hoje, em nosso país, patriotismo virou motivo de galhofa, e só existe durante as competições desportivas de maior expressão, ou quando uma brasileira fica em segundo lugar no Miss Universo

Diz-se muito, hoje em dia, nas falácias do sistema democrático. Afinal, nossas opções de candidatos são oferecidas pelos próprios partidos políticos que, em países como o nosso, parecem contaminados de cabo a rabo. Mas temos uma possibilidade de escolha, e uma imprensa que assume funções de fiscalização diante de um quadro de notória impunidade. Em tudo isso, há o lado bom e o ruim. Contudo, não se pode negar que temos liberdade de discutir nossos problemas abertamente, seja nos jornais, nas ruas ou mesmo nas escolas.

Infelizmente, para os venezuelanos, tais oportunidades estão cada vez mais escassas. E a Educação, atividade basilar na construção de qualquer grande nação, é mais uma vez usada como mero instrumento de perpetuação no poder de um ditador que, como todos os demais de sua estirpe, crê-se o salvador da Pátria.  Depois de construir sua Educação bolivariana, a seguir a cartilha dos ditadores, virão os bustos de Hugo Chávez em bronze, sua estampa nas cédulas de dinheiro e os desfiles cívicos em comemoração ao seu natalício… 

Como todo bom déspota, Chávez construiu para si uma ética muito particular, na qual seu fim - a perenização no poder - justifica os meios.  Para a tristeza dos ditadores, o futuro sempre os desmentiu. 

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Friday, September 14, 2007

O caminho para Meca

China Zorrilla e Carolina Papaleo O Porto Alegre em Cena, tradicional festival de teatro de Porto Alegre que, em 2007, atinge sua décima-quarta edição, é sempre uma ótima oportunidade para travar contato com o que se está a produzir em termos de espetáculo por todo o mundo.  Música, dança e, sobretudo, teatro de todas as tendências e propostas - o que torna as escolhas do público sobre que espetáculos escolher um tanto complicada e, por vezes, arriscada.  O valor convidativo dos ingressos - R$ 10,00 com os descontos oferecidos pela organização - faz com que muitos espectadores invistam o que gastariam com um ingresso na temporada normal para assistir a vários espetáculos.

Há sempre, no Porto Alegre em Cena, as bizarrices de ocasião - ano passado, um ator recebia choques elétricos conforme as reações da platéia; este ano, um ator passa todo o espetáculo acorrentado em um aparelho de tortura para viver um garoto de programa que sofre nas mãos de um sádico cliente -, das quais convém fugir se a sua mente ainda não foi totalmente convencida pela tal pós-modernidade… Também há que se desconfiar de alguns espetáculos que chegam envoltos em uma aura de celebridade, incensados pela crítica modernosa, e que no palco se mostram uma daquelas tolices desconexas que algumas pessoas se sentem obrigadas a gostar ou fingir que entenderam - caso, este ano, do engodo chamado Big in Bombay, da coreógrafa argentina Constanza Macras e de sua companhia alemã de teatro-dança - o único espetáculo, em toda a minha vida, que eu abandonei pela metade, indignado, sentindo-me ludibriado; eu, os que me acompanhavam e mais um sem-número de pessoas que causaram um pequeno congestionamento na saída do Teatro do Sesi em pleno intervalo, fato inédito, é bom ressaltar.

Mas tudo isso é compensado pelas preciosidades que o Porto Alegre em Cena é capaz de trazer a Porto Alegre.  Em 2007, uma dessas maravilhas é El Camino a la Meca, peça do dramaturgo sul-africano Athol Fugard em montagem portenha. 

Fugard é considerado um dos dramaturgos de língua inglesa mais importantes dos últimos tempos.  Sua dramaturgia remete à tradição norte-americana e não raro seus textos são comparados aos de Arthur Miller, Tennessee Williams e Edward Albee, por conta de sua temática firmemente calcada no ser humano.  Em El Camino a la Meca (1984), ele parte da história real de Helen Niemand, uma mulher nascida e criada em uma pequena comunidade de africaneers na África do Sul e que se vê, depois de viúva e muito idosa, excluída e rechaçada da comunidade depois que decide viver sua liberdade particular: deixa de ir aos encontros da dominadora comunidade protestante em que vive e passa a fazer esculturas, em cimento e ladrilhos, de monstros, animais e seres mitológicos - um conjunto ao qual dá o nome sugestivo de ”Meca”.  A ação passa-se em uma noite na qual Helen é visitada por sua única amiga, a jovem professora Elsa, que vive há doze horas de carro da pequena cidade da escultora.  Ela visita Helen depois de receber uma carta na qual a senhora narra seu desespero.  O confronto entre as duas revelará a real situação de Helen - a comunidade, na figura do pastor e amigo Marius, quer forçá-la a abandonar sua casa e ir para um asilo mantido pela igreja.

China Zorrilla, a celebrada atriz uruguaia de filmes como Elsa e Fred, é uma presença magnética no palco em seus oitenta e cinco anos de idade. Sua Helen é magistralmente composta, jamais resvalando no caricatural ou no excesso, o que torna o destino de sua personagem completamente verossímil.  Carolina Papaleo, atriz argentina, é forte e convincente como Elsa, oferecendo um contraponto à altura para a grande atriz uruguaia, que está à frente da montagem há cinco anos.

O mais encantador - e que me fez recordar as tolices e os engodos teatrais que o Porto Alegre em Cena traz no mesmo festival, garantindo sua enriquecedora diversidade, é que El Camino a la Meca não necessita de malabarismos, grandes cenários ou cenas grotescas; não exige do expectador uma compreensão que fuja ao aceitável; não é hermético, nem ofensivo.  No entanto, leva o expectador às lágrimas - tarefa difícil em tempos nos quais as pessoas parecem rir de tudo - e faz pensar, causando aquela impressão permanente que só os grandes artistas conseguem imprimir em seu público. 

O “caminho para Meca” de um bom espetáculo segue sendo sua honestidade para com o público.

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Monday, September 10, 2007

Cangurus em Buenos Aires

Será este o mapa da Áustria que deram para o Bush?Há poucos dias, George W. Bush, o atual presidente dos Estados Unidos da América, confundiu Austrália com Áustria. Ele discursava no Fórum de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico, realizado em Sidney, e falou da importante presença dos soldados austríacos no Iraque. Mas a Áustria não mandou soldados, e sim a anfitriã do evento, a Austrália.

A divertida confusão não parece ser um erro momentâneo do presidente. Lembrou-me da minha visita a Salzburgo, terra de Mozart e da família Von Trapp das telas de cinema, quando tentei a todo custo comprar uma bela camiseta da Áustria para mim e só encontrava umas estranhíssimas estampas que diziam “Não há cangurus na Áustria”. Perguntei a uma vendedora, em inglês, o porquê daquela camiseta tão óbvia e estranha, e ela respondeu-me com uma pergunta:

- Are you American?

Respondi que era brasileiro e ela, em um sorriso bem austríaco, disse que, nesse caso, eu não precisava da camiseta mesmo: era uma piada com os tantos norte-americanos que visitavam a Áustria e questionavam sobre onde poderiam ver os cangurus… Bush, pelo jeito, apenas reforçou em cadeia mundial de televisão o que é uma gafe típica de seus compatriotas.

No kangaroos in Austria Fala-se sempre, e muito, desse desconhecimento dos norte-americanos em relação aos demais países do mundo. Na década de 1980, Ronald Reagan, em visita ao Brasil, propôs um “brinde ao povo da Bolívia”. Alguns dias depois, uma distribuidora de petróleo lançava uma propaganda de revista na qual, ironicamente, “o povo da Bolívia agradecia a visita do presidente do Canadá”. Mas será que apenas os norte-americanos desconhecem os demais povos e países?

O presidente Lula já teve seu dia de Ronald Reagan ao saudar os “homens e mulheres da Bolívia” durante uma visita à Venezuela, em 2006. Mas falo de todos nós, brasileiros, e do nosso escasso conhecimento dos próprios países com os quais mantemos fronteiras, ou do continente de onde grande parte de nossa população foi tradiza à força, a África. Visitei quatro países africanos em 1993 e voltei com a convicção de que não há como ver aquele continente como um emaranhado único de pobreza e subdesenvolvimento sob o nome de África: cada país tem seus graves problemas, é bem verdade, mas ao mesmo tempo uma cultura e um povo, um modo de vida e uma verve que os fazem únicos. Mas para nós, que criticamos o desconhecimento dos países mais ricos em relação ao Brasil, a África em nossa mente segue sendo um território de clichês que dificilmente será desfeito. Confundimos Uruguai com Argentina, colocamos no mesmo balaio a Bolívia e o Peru, e exigimos que os estrangeiros saibam que o Brasil não se limita a Copacabana, Amazônia e Pelourinho.

Não sei se, em tempos de mensalão, Calheiros e ameaças de censura à imprensa, melhor não seria torcer para que nossa capital fosse mesmo Buenos Aires.

Posted by Frizero at 15:23:17 | Permalink | Comments (3)