Friday, September 28, 2007

Longo prazo

Lula e Mangabeira Unger - nunca na história desse país houve tanto ministério

Uma votação no Senado Federal derrubou, esta semana, a intenção do governo Lula de criar mais um ministério, mal escondido sob o nome questionável de Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo - ou algo que o valha.  Por trás do veto, que representou a extirpação de um ministro ligado ao partido do vice-presidente José Alencar. Roberto Mangabeira Unger, que teve cerimônia de posse no cargo antes mesmo da aprovação do novo ministério no Congresso Nacional, precisaria, segundo a estrutura planejada pelo governo Lula, da assombrosa quantia de oitenta e três servidores em cargos de comissão, devidamente criados na mesma leva do decreto de junho de 2007 que estabeleceu um total de seiscentos e vinte e seis novos cargos comissionados na administração pública.

O mais curioso, contudo, é que a recusa dos senadores em aprovar a criação de tal grandiosa estrutura não tem nenhuma relação com questões éticas, com um desejo sincero de enxugar a máquina pública ou de impedir o governo de estabelecer um ente no Governo Federal cuja função poderia ser muito bem exercida pelo já existente Ministério do Planejamento.  Ao que tudo indica, o veto dos senadores foi uma manobra do partido político do presidente do Senado Federal em represália pela recusa do governo Lula em conceder àquele grupo certos cargos de importância em empresas estatais como Eletrobrás, Petrobrás e outras de igual relevância.

Nossos políticos funcionam assim, à base de trocas as mais escabrosas.  Em todas as democracias do mundo o governo é construído por meio de negociações, isso é fato. Mas onde em outros países há o interesse comum, e os debates permanecem no campo das idéias, aqui o fisiologismo impera e sufoca.  Os mesmos parlamentares que vetam o novo ministério estão encaminhando a aprovação da CPMF - o imposto sobre movimentações financeiras com apelido de “contribuição provisória”.  O governo Lula, que reclama constantemente dos custos de manutenção da máquina estatal - justificativa maior para a manutenção do imposto sobre o cheque -, gerou um acréscimo mensal de  R$23.200.000,00 por ano com a criação dos tais novos seiscentos e vinte e seis cargos em comissão. 

Tudo é tão descarado que os partidos políticos não escondem suas pretensões nem mesmo quando reclamam para si posições na diretoria ou na presidência de empresas públicas.  Grandes corporações como a Petrobrás e Eletrobrás, construídas com o dinheiro do contribuinte, merecem diretores e presidentes de profundo conhecimento técnico, mas estão sendo loteadas pelos políticos com o claro interesse de obtenção de vantagens pessoais.  Que outro interesse teria um político em indicar o diretor de uma Petrobrás, ou o presidente de uma Eletronorte?  Afinal, assim funcionava o Valerioduto, que se aproveitava de verbas de publicidade das empresas estatais - as quais dificilmente são questionadas, por serem de difícil mensuração em comparação aos serviços prestados - para encher os cofres dos partidos e de seus representantes do povo. Curiosamente, um dos primeiros ministérios extras criados por Lula, ainda em seu primeiro mandato, foi uma secretaria especial cuja função era a de gerenciar as verbas federais de publicidade, a cargo de Luís Gushiken…

Em entrevista a uma emissora de televisão, Lula afirmou que a tal Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo é essencial para o governo, pois é através dela que o presidente pretende preparar o Brasil para o bicentenário da independência em 2022.  Em um país como este, no qual ninguém consegue trabalhar com planejamentos futuros, é até plausível que sejam necessários oitenta e quatro servidores públicos pagos a peso de ouro para construir algum projeto de país que ainda funcione daqui a quinze anos.  Infelizmente, a descrença que se instala no país, em relação às instituições políticas, faz-nos crer que as ações de longo prazo às quais Lula se refere sejam outras, bem mais pragmáticas, repletas desse fisiologismo que o Partido dos Trabalhadores dizia tanto desprezar.

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Monday, September 24, 2007

O silêncio eloqüente

Marcel MArceau

É uma terrível ironia ter que usar as palavras para falar de Marcel Marceau - ele foi o mestre do silêncio. O ator francês, falecido em 23 de setembro de 2007 aos oitenta e quatro anos, sempre foi um dos mais eloqüentes exemplos de que a arte precisa de muito pouco para ser grandiosa.  Sem o apoio de cenários elaborados, abstendo-se da palavra em uma forma artística - o teatro - na qual ela é, atualmente, por vezes tão mal aproveitada, Marceau encantou gerações e tornou-se um artista reconhecido em todo o mundo.  Ele elevou a mímica ao patamar de arte maior, e sua imagem tornou-se um ícone dessa forma de expressão artística. Ele mesmo um herói da Resistência francesa na Segunda Grande Guerra, seu grito de resistência soou mais alto que inúmeros discursos vazios de seus contemporâneos - não por acaso, uma de suas encenações mais conhecidas tornou-se um símbolo dos jovens que lutaram contra a ditadura de esquerda na famosa Primavera de Praga. Marceau soube, como poucos, levar seu espírito de contestação aos palcos - sem alarde ou pirotecnia, mas gritando em seus gestos e sorrisos o que mil vozes contemporâneas já não mais conseguem fazer com sua mesma verdade, com sua verve e gênio.

O resto é silêncio.

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Wednesday, September 19, 2007

[Que assim seja]

'Aurora Boreal - Lea Kleiner, artista chilena

Na mão de Deus,
como em um vale,
dois caminhos se unam
em uma só semente:
que assim seja o nosso amor.

Nos campos sem fronteiras
onde cai a tarde,
numa brisa leve
quando os pássaros
juntos voem
para além do horizonte:
que assim seja o nosso amor.

Que belo é o teu amor
dentro do coração,
pois tu, ao mirar-me,
nunca és
noturna ou distante
e sim acolhedora
como em um remanso.

E se algo há
de noite em teu olhar,
deve ser assim
como de uma noite amiga
cálida como o verão,
singela como uma espiga,
com tuas grandes pupilas
não se abrindo ao nada
e sim ao infinito
e com esse brilho do Senhor
palpitando nas estrelas:
que assim seja o nosso amor…

Luis Felipe Yañez

poeta chileno
[poesia inédita, 2007]
(tradução do espanhol por Robertson Frizero Barros)

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Tuesday, September 18, 2007

Pedagogia do opressor

Chávez, o 'pai dos pobres' - eles sempre se intitulam assim...As democracias parecem se governar cada uma à sua maneira local.  As ditaduras, ao contrário, são todas iguais.

A paráfrase da frase lapidar de Leo Tolstoi na abertura de Anna Karenina surge diante da mais nova medida anunciada por Hugo Chávez, presidente que se pereniza no poder em seu país, a Venezuela, por conta de uma dominação dos meios políticos e sociais que já não pode ser vista de outro modo a não ser como uma ditadura: Chávez afirmou que todas as escolas venezuelanas, incluindo as da rede privada de ensino, deverão adotar ainda em 2007 o novo currículo por ele desenhado. A idéia do presidente venezuelano é que a “nova Educação bolivariana” ajude a “desenvolver valores de cooperação e solidariedade”.

A reforma na Constituição proposta por Chávez e ainda em fase de aprovação pela Assembléia Nacional da Venezuela - composta exclusivamente por seus partidários - reconhece a existência de instituições de ensino particulares. Contudo, Chávez disse que as escolas que não adotarem o novo sistema educacional socialista serão fechadas. Para ele, o sistema de educação privado na Venezuela é baseado em valores capitalistas e “organizado de maneira a negar Educação para o povo”.

Como auto-intitulado “pai dos pobres”, Chávez declarou que a reforma educacional visa a atender a população mais carente, já que a Educação foi ignorada pelos governos anteriores. Por trás das boas intenções do ditador venezuelano, está um novo currículo que servirá como base de doutrinação dos estudantes.

Hitler: tudo pelas criançasComo outras ditaduras, sejam elas de esquerda ou de direita, Hugo Chávez trabalha com a idéia de formação de seguidores a partir da juventude. Assim funcionava no Uzbequistão, na Alemanha hitlerista, no Brasil dos governos militares, na China maoísta. As reformas educacionais sempre fizeram parte do pacote de medidas dos ditadores, junto com a perseguição aos opositores, ao fechamento da imprensa livre, à sustentação de uma rede de apoio internacional com o uso do dinheiro público - generosamente cedido aos países aliados, mas distribuído à população de forma minguada e recheada de discursos solidários que, no fim das contas, eram materializados em cupons de racionamento e em muita privação. Na Educação, contudo, os efeitos dessa dominação dos ditadores é difícil de mensurar. No Brasil, por exemplo, o uso pelos militares de disciplinas como Educação Moral e Cívica (EMC), Estudos dos Problemas Brasileiros (EPB) ou Organização Social e Política do Brasil (OSPB) para o controle da juventude teve um efeito devastador: hoje, em nosso país, patriotismo virou motivo de galhofa, e só existe durante as competições desportivas de maior expressão, ou quando uma brasileira fica em segundo lugar no Miss Universo

Diz-se muito, hoje em dia, nas falácias do sistema democrático. Afinal, nossas opções de candidatos são oferecidas pelos próprios partidos políticos que, em países como o nosso, parecem contaminados de cabo a rabo. Mas temos uma possibilidade de escolha, e uma imprensa que assume funções de fiscalização diante de um quadro de notória impunidade. Em tudo isso, há o lado bom e o ruim. Contudo, não se pode negar que temos liberdade de discutir nossos problemas abertamente, seja nos jornais, nas ruas ou mesmo nas escolas.

Infelizmente, para os venezuelanos, tais oportunidades estão cada vez mais escassas. E a Educação, atividade basilar na construção de qualquer grande nação, é mais uma vez usada como mero instrumento de perpetuação no poder de um ditador que, como todos os demais de sua estirpe, crê-se o salvador da Pátria.  Depois de construir sua Educação bolivariana, a seguir a cartilha dos ditadores, virão os bustos de Hugo Chávez em bronze, sua estampa nas cédulas de dinheiro e os desfiles cívicos em comemoração ao seu natalício… 

Como todo bom déspota, Chávez construiu para si uma ética muito particular, na qual seu fim - a perenização no poder - justifica os meios.  Para a tristeza dos ditadores, o futuro sempre os desmentiu. 

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Friday, September 14, 2007

O caminho para Meca

China Zorrilla e Carolina Papaleo O Porto Alegre em Cena, tradicional festival de teatro de Porto Alegre que, em 2007, atinge sua décima-quarta edição, é sempre uma ótima oportunidade para travar contato com o que se está a produzir em termos de espetáculo por todo o mundo.  Música, dança e, sobretudo, teatro de todas as tendências e propostas - o que torna as escolhas do público sobre que espetáculos escolher um tanto complicada e, por vezes, arriscada.  O valor convidativo dos ingressos - R$ 10,00 com os descontos oferecidos pela organização - faz com que muitos espectadores invistam o que gastariam com um ingresso na temporada normal para assistir a vários espetáculos.

Há sempre, no Porto Alegre em Cena, as bizarrices de ocasião - ano passado, um ator recebia choques elétricos conforme as reações da platéia; este ano, um ator passa todo o espetáculo acorrentado em um aparelho de tortura para viver um garoto de programa que sofre nas mãos de um sádico cliente -, das quais convém fugir se a sua mente ainda não foi totalmente convencida pela tal pós-modernidade… Também há que se desconfiar de alguns espetáculos que chegam envoltos em uma aura de celebridade, incensados pela crítica modernosa, e que no palco se mostram uma daquelas tolices desconexas que algumas pessoas se sentem obrigadas a gostar ou fingir que entenderam - caso, este ano, do engodo chamado Big in Bombay, da coreógrafa argentina Constanza Macras e de sua companhia alemã de teatro-dança - o único espetáculo, em toda a minha vida, que eu abandonei pela metade, indignado, sentindo-me ludibriado; eu, os que me acompanhavam e mais um sem-número de pessoas que causaram um pequeno congestionamento na saída do Teatro do Sesi em pleno intervalo, fato inédito, é bom ressaltar.

Mas tudo isso é compensado pelas preciosidades que o Porto Alegre em Cena é capaz de trazer a Porto Alegre.  Em 2007, uma dessas maravilhas é El Camino a la Meca, peça do dramaturgo sul-africano Athol Fugard em montagem portenha. 

Fugard é considerado um dos dramaturgos de língua inglesa mais importantes dos últimos tempos.  Sua dramaturgia remete à tradição norte-americana e não raro seus textos são comparados aos de Arthur Miller, Tennessee Williams e Edward Albee, por conta de sua temática firmemente calcada no ser humano.  Em El Camino a la Meca (1984), ele parte da história real de Helen Niemand, uma mulher nascida e criada em uma pequena comunidade de africaneers na África do Sul e que se vê, depois de viúva e muito idosa, excluída e rechaçada da comunidade depois que decide viver sua liberdade particular: deixa de ir aos encontros da dominadora comunidade protestante em que vive e passa a fazer esculturas, em cimento e ladrilhos, de monstros, animais e seres mitológicos - um conjunto ao qual dá o nome sugestivo de ”Meca”.  A ação passa-se em uma noite na qual Helen é visitada por sua única amiga, a jovem professora Elsa, que vive há doze horas de carro da pequena cidade da escultora.  Ela visita Helen depois de receber uma carta na qual a senhora narra seu desespero.  O confronto entre as duas revelará a real situação de Helen - a comunidade, na figura do pastor e amigo Marius, quer forçá-la a abandonar sua casa e ir para um asilo mantido pela igreja.

China Zorrilla, a celebrada atriz uruguaia de filmes como Elsa e Fred, é uma presença magnética no palco em seus oitenta e cinco anos de idade. Sua Helen é magistralmente composta, jamais resvalando no caricatural ou no excesso, o que torna o destino de sua personagem completamente verossímil.  Carolina Papaleo, atriz argentina, é forte e convincente como Elsa, oferecendo um contraponto à altura para a grande atriz uruguaia, que está à frente da montagem há cinco anos.

O mais encantador - e que me fez recordar as tolices e os engodos teatrais que o Porto Alegre em Cena traz no mesmo festival, garantindo sua enriquecedora diversidade, é que El Camino a la Meca não necessita de malabarismos, grandes cenários ou cenas grotescas; não exige do expectador uma compreensão que fuja ao aceitável; não é hermético, nem ofensivo.  No entanto, leva o expectador às lágrimas - tarefa difícil em tempos nos quais as pessoas parecem rir de tudo - e faz pensar, causando aquela impressão permanente que só os grandes artistas conseguem imprimir em seu público. 

O “caminho para Meca” de um bom espetáculo segue sendo sua honestidade para com o público.

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Monday, September 10, 2007

Cangurus em Buenos Aires

Será este o mapa da Áustria que deram para o Bush?Há poucos dias, George W. Bush, o atual presidente dos Estados Unidos da América, confundiu Austrália com Áustria. Ele discursava no Fórum de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico, realizado em Sidney, e falou da importante presença dos soldados austríacos no Iraque. Mas a Áustria não mandou soldados, e sim a anfitriã do evento, a Austrália.

A divertida confusão não parece ser um erro momentâneo do presidente. Lembrou-me da minha visita a Salzburgo, terra de Mozart e da família Von Trapp das telas de cinema, quando tentei a todo custo comprar uma bela camiseta da Áustria para mim e só encontrava umas estranhíssimas estampas que diziam “Não há cangurus na Áustria”. Perguntei a uma vendedora, em inglês, o porquê daquela camiseta tão óbvia e estranha, e ela respondeu-me com uma pergunta:

- Are you American?

Respondi que era brasileiro e ela, em um sorriso bem austríaco, disse que, nesse caso, eu não precisava da camiseta mesmo: era uma piada com os tantos norte-americanos que visitavam a Áustria e questionavam sobre onde poderiam ver os cangurus… Bush, pelo jeito, apenas reforçou em cadeia mundial de televisão o que é uma gafe típica de seus compatriotas.

No kangaroos in Austria Fala-se sempre, e muito, desse desconhecimento dos norte-americanos em relação aos demais países do mundo. Na década de 1980, Ronald Reagan, em visita ao Brasil, propôs um “brinde ao povo da Bolívia”. Alguns dias depois, uma distribuidora de petróleo lançava uma propaganda de revista na qual, ironicamente, “o povo da Bolívia agradecia a visita do presidente do Canadá”. Mas será que apenas os norte-americanos desconhecem os demais povos e países?

O presidente Lula já teve seu dia de Ronald Reagan ao saudar os “homens e mulheres da Bolívia” durante uma visita à Venezuela, em 2006. Mas falo de todos nós, brasileiros, e do nosso escasso conhecimento dos próprios países com os quais mantemos fronteiras, ou do continente de onde grande parte de nossa população foi tradiza à força, a África. Visitei quatro países africanos em 1993 e voltei com a convicção de que não há como ver aquele continente como um emaranhado único de pobreza e subdesenvolvimento sob o nome de África: cada país tem seus graves problemas, é bem verdade, mas ao mesmo tempo uma cultura e um povo, um modo de vida e uma verve que os fazem únicos. Mas para nós, que criticamos o desconhecimento dos países mais ricos em relação ao Brasil, a África em nossa mente segue sendo um território de clichês que dificilmente será desfeito. Confundimos Uruguai com Argentina, colocamos no mesmo balaio a Bolívia e o Peru, e exigimos que os estrangeiros saibam que o Brasil não se limita a Copacabana, Amazônia e Pelourinho.

Não sei se, em tempos de mensalão, Calheiros e ameaças de censura à imprensa, melhor não seria torcer para que nossa capital fosse mesmo Buenos Aires.

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Monday, September 3, 2007

[Não me negues, jamais, a tua pele]

'Jovem fugindo de Eros', Bouguereau

Não me negues, jamais, a tua pele
roçando em minha pele enceguecida,
nem me deixes a implorar por tua boca
a recusar-se a um beijo, por vontade,
e mesmo evite deixar teus cabelos
longe do toque dos tristes dedos meus
pois só a um deus, amada, é facultada,
essa frieza de emoções distantes
e de recusas, ainda que jocosas…
Eu sou humano, amor meu, tenho suores,
e arrepios, e sofro e me desato
se tu me negas um beijo, por recato,
Ou me rejeitas carinho, por vaidade!

Poema sexto da obra

dedicada à minha esposa, Tatiana

(2000)
(Robertson Frizero Barros)

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