Friday, April 20, 2007

‘What good will it do?’

Oito anos do massacre na Columbine High SchoolÀs vésperas do aniversário de oito anos da tragédia ocorrida na Columbine High School, em Jefferson, Colorado, ocorrido em um 20 de abril - em que dois alunos armados causaram a morte de dez estudantes -, e apenas dois dias depois das mortes ocorridas na universidade Virginia Tech, a rede de televisão norte-americana NBC divulgou as imagens de um vídeo e de fotografias enviadas para aquela emissora de televisão por Cho Seung-Hui, o desequilibrado estudante de Letras que protagonizou o massacre de seus colegas de universidade e de dois professores. 

As imagens chocaram o país e, mais ainda, os parentes e amigos das vítimas.  Seung-Hui declara, na gravação enviada para a televisão poucos minutos depois dos dois primeiros assassinatos cometidos por ele naquele dia, que iria “morrer como um mártir, como Jesus Cristo” e outros dois mártires, Eric Harris e Dylan Klebold - os dois jovens do massacre de Columbine.  Contudo, mais que as imagens de Seung-Hui portando as armas do massacre ou as palavras desconexas que pronuncia em sua “carta suicida” gravada em vídeo, a divulgação revoltou a sociedade americana e os policiais que investigam o caso.  Eles temem que a divulgação do material produzido pelo assassino possa motivar outras pessoas com semelhante desequilíbrio a cometerem crimes inspirados pela ação doentia de Cho.

Um dia apenas depois de divulgadas as imagens, cinco escolas secundárias e universidades estadunidenses receberam ameaças.  Em uma delas, o suposto agressor afirmava que iria promover “um massacre maior que o de Virginia Tech”, dando a entender que seu objetivo era superar o odioso recorde de mortes de Cho Seung-Hui.  Como o jovem sul-coreano, que aparentemente promoveu a matança incentivado pelas histórias de Columbine - cujos assassinos também produziam vídeos em que falavam de seus instintos violentos e de seus planos de cometer um massacre em sua escola -, outros tantos jovens alimentados por uma cultura de violência cada vez mais forte em nossos dias receberam, via satélite, mais material para a construção de suas sociopatias.

“O que de bom pode vir disso?”, foi a pergunta do policial que chefia as investigações dos assassinatos em Virginia Tech.  A sede da NBC em gerar um furo de reportagem - que certamente rendeu um lucro imenso para a empresa, a partir de sua divulgação em nível mundial - lançou nas emissoras de televisão e na rede mundial de computadores as palavras repletas de fúria e insanidade de um jovem cuja motivação maior pode ter sido justamente a idéia torta de se tornar uma celebridade póstuma.  Colocar no ar as frases ditas por um louco, cuja última ação no mundo foi a de matar inocentes em nome de uma dita “vingança contra a sociedade”, é não só inconseqüente, mas temerária.  E não é sem razão que os norte-americanos vivem em neurastenia perpétua: a violência tornou-se um negócio muito rentável para aquele país tão invejado e competitivo.  Oxalá a irresponsabilidade dos jornalistas da NBC não seja o ponto de partida de mais uma competição: a de quem mata mais estudantes em uma terra onde munição e armamento são comprados no mercado mais próximo de sua casa.

Homenagem aos mortos na tragédia da universidade Virginia Tech
Posted by Frizero at 17:49:49
Comments

One Response to “‘What good will it do?’”

  1. Como jornalista também acho que a NBC foi irresponsável na divulgação deste tipo de informação. Deveriam ter pensado melhor antes de executar.
    Como exemplo similar cito que certa vez um professor, jornalista e responsável pela exibição de reportagens de uma rede de TV brasileira, recebeu uma ligação de uma telespectadora a respeito de uma reportagem.
    Ela reclamava e chorava muito e dizia que estava sem saber o que fazer pois a tal matéria contava que certa doença degenerativa não permitia que crianças passassem dos 12 anos de vida e seu filho que tinha esse mal estava com 10 anos.
    Perguntava aos prantos: “O que faço agora sr. fulano de tal que ele sabe que não tem mais do que 2 anos de vida?”.
    Chocante, real e que fez o mestre pensar que acima de tudo, jornalismo é responsabilidade. Exige bom senso e muitos cuidados como os tais que a NBC ignorou.
    Só vejo nela um capitalismo selvagem. Mas, erros mesmo perigosos assim fazem parte do aprendizado, todos erramos. Acho que a NBC acabou de aprender. Tomara!

    Abraços.

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