O Poeta Revisitado
Diante das dificuldades de ser publicado, sobretudo em um gênero que parece cada vez mais fadado à periferia da literatura em termos de mercado editorial, tenho há tempos divulgado meus poemas na Rede Mundial de Computadores, no afã de conseguir leitores para a minha poesia e, assim, de alguma forma, perceber que tipo de comunicação esses meus textos poéticos estabelecem com um público que ainda lê pomas. Antes de despertar para as facilidades de publicação do blog, esta ferramenta que possibilita a cada usuário ser seu próprio editor-chefe - para o bem ou para o mal - e divulgar de imediato suas visões sobre o mundo que o cerca, construí uma pequena página de poemas em que deixei abertos para a leitura oito textos de meu primeiro original, À Minha Memória, registrado em 1996 na Biblioteca Nacional.
Mais que encontrar leitores, a Internet fez-me travar contato com a rapidez com que as informações se espalham por esse mundo de virtualidades. Em pouco tempo, fui descobrindo, cá e lá, meus poemas sendo divulgados em outros sites e blogs, dedicados ou não exclusivamente à poesia, com ou sem os créditos que me eram devidos de autoria.
Não me preocupo demasiadamente com essa ausência de meu nome relacionado àqueles textos, pois sei que muitas vezes é um mero esquecimento ou uma referência secundária - alguém que recebeu o texto de outrem já sem a autoria. Ainda assim, costumo sempre entrar em contato, por e-mail ou comentário nos blogs, pedindo cordialmente que me sejam devidamente creditados os poemas, no que sou geralmente atendido. Irritaram-me os casos em que encontrei meus poemas creditados ao autor do blog, fotolog ou site em que foram reproduzidos, por ser isso um indicativo de má-fé. Mas todas essas situações em que encontrei meus textos espelhados em outros sítios da Internet fizeram-me pensar um pouco sobre os limites da autoria de um texto poético - ou até que ponto essa autoria pode ser retrabalhada ao ponto de apagar a intenção original de qualquer texto.
Falo de situações em que encontrei meus poemas publicados em sites e blogs nos quais seus donos haviam inserido os textos em meio a uma profusão de imagens e cores e músicas de fundo que eu jamais imaginaria associadas aos meus versos, ou mesmo quando minha poesia era usada para justificar ou ilustrar idéias que eu jamais apoiaria. Em uma das situações mais divertidas pelas quais passei, vi meu poema Abismo de Pássaros publicado em um blog de uma senhora de seus sessenta anos, que para enfeitá-lo rodeou-o com imagens de passarinhos e anjos esvoaçantes e corações que pulsavam e uma musiquinha melosa (executada continuamente pelo sintetizador do computador ao abrir-se a página) que emoldurava sonoramente a apresentação dos versos… O texto praticamente se perdia em meio a tantos elementos visuais, mas, enfim, era o retrato de como meu poema havia sido por ela lido.
Lembro-me de uma história de Mário Quintana, de quando o poeta foi prestigiar uma sessão de declamação de suas poesias em um evento no interior do estado. Convidaram a melhor declamadora da cidade e, diante da presença viva do poeta maior do Rio Grande do Sul, a pobre senhora alongava e açucarava mais e mais cada verso de Quintana, a ponto de transformar mesmo alguns poemas melancólicos e algo amargos do poeta em uma quase redação juvenil de moças. Quintana confidenciaria a amigos depois da sessão: “E eu que não sabia que era um fresco!”
Pois eu me senti algo estranho ao ver meus pássaros-poemas tão emplumados, faceiros e cantadores naquele blog repleto de meiguices femininas de uma senhora que estava a descobrir o prazer de comunicar-se por meio da Internet. Mas, enfim, com que direitos eu poderia exigir que fosse diferente? O colorido e o brilho infantil das imagens que ela colocou à serviço de meu poema não interferem menos na leitura dos versos que os elementos outros que circundam meus outros poemas espalhados em sites alheios pela Rede Mundial de Computadores. Aqui, meu poema Solidão é incluído na seqüência de uma série de textos pessimistas e intimistas da autora do blog; acolá, Chopin é divulgado ao lado de uma bailarina animada ou o mesmo Abismo de Pássaros citado como uma boa explicação de poesia sem parecer aula de português… Até em um fotolog com dicas para conquistas amorosas eu já encontrei um poema meu, Bilhete em Silêncio, creditado como sendo do dono da página, autointitulado Don Juan! Não serão todas essas novas contextualizações de meus poemas uma forma de interpretá-los, de algum modo?
Enquanto isso, sigo escrevendo poesia e divulgando meus poemas neste Locutório, à espera dos comentários e críticas de novos (e antigos) leitores. E vez por outra ainda me surpreendo - e me divirto, e me sinto grato pela divulgação desinteressada - com as aparições renovadas que os poemas recebem na mata densa de registros da Internet.
A mais recente avaliação nacional sobre a Educação no país, a chamada Prova Brasil, constatou uma realidade desalentadora para os que pensam o Brasil com os olhos no futuro: em termos gerais, o aluno brasileiro é extremamente mal preparado e detém conhecimento muito inferior ao que seria esperado para a série em que está matriculado. 
alguma coisa). Schlemmer chama-nos, a nós que vivemos naqueles anos e nas décadas anteriores, de a geração “não mexe que estraga”.
esses meios, o que é facilmente evidenciado quando e-mails e textos são impressos para serem lidos, ou, após serem encaminhados, liga-se para saber se o sujeito recebeu”. Segundo Schlemmer, são os “imigrantes digitais” que tentam falar a “língua digital”, mas com “forte sotaque analógico”.
que mesmo as tarefas mais reflexivas que um professor possa propor já encontram respostas disponíveis na Rede e torna-se difícil muitas vezes para os educadores detectar a ação dos plagiadores digitais.