Poética


As notícias da imprensa, as conversas informais entre amigos e os rumores nas salas dos professores podem ser apontados como exagerados, mas um sinal mais contundente da realidade acaba de ser lançado por um documento que expressa as questões que mais preocupam os professores no momento atual: dentre as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho 2006, documento que reúne os termos do acordo anual entre empregadores e educadores do ensino privado no Rio Grande do Sul, uma delas trata da violência no ambiente escolar.
O Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (SINPRO/RS) estabeleceu, em conjunto com a organização patronal do setor educacional, que as instituições de ensino privado do estado “devem atuar na prevenção e repressão a toda forma de violência praticada por alunos e até mesmo por pais e/ou demais tomadores de serviços educacionais”. O documento estabelece que qualquer tipo de violência contra o professor - física, moral ou psicológica - deverá ser coibida pelas escolas, com a colaboração dos docentes, e que a questão disciplinar deve ser igualmente incluída dentro dos projetos pedagógicos das escolas.
Como o boletim da entidade recorda com propriedade, a violência no ambiente escolar, ao contrário do que se possa imaginar, “não é um mal restrito ao ensino público”, onde ganhou maior visibilidade por conta das muitas matérias publicadas em jornais e revistas sobre casos de professores vítimas de agressão por parte de alunos e pais. No ensino privado, contudo, as ocorrências de violência contra professores são tratadas “de forma velada” pelas escolas no intuito de evitar quaisquer contendas com os pais dos alunos agressores. O problema tem-se tornado de tal forma freqüente no ensino privado que o SINPRO/RS criou um disque-denúncia de violência contra professores no qual os profissionais agredidos terão assessoria e apoio do sindicato para o enfrentamento dessas situações de assédio moral e psicológico ou de agressão física contra docentes - com a garantia de total sigilo para o denunciante.
A inclusão da violência escolar dentre temas tão díspares - como cláusulas salariais, direito do professor às vésperas da aposentadoria ou remuneração proporcional para professores que trabalham em diferentes níveis de ensino - é significativa e, ainda que preocupante ao indicar o crescimento desses casos, um pequeno alento para os tantos professores que têm sofrido, no silêncio do temor de perder seus empregos, com a violência nas escolas particulares.