Friday, June 30, 2006

Poesia

A sombra das palavras trespassa os sons e as formas
e aguarda, silenciosa, que te entretenhas
com tais pequenos folguedos:
ela espera, com a tranqüilidade das certezas inatingíveis,
que brinques com tua língua em silêncio pelo desenho das letras,
formes em ti as canções entrecortadas destes versos
e que vás tecendo em ti os sentidos
que esses traços primeiro te tragam.
Mas, depois, sob o véu opaco dos riscos
e das miragens de dicionário,
a sombra das palavras desvendará o bote,
revelará o oculto e destruirá a farsa,
e arrancará de ti, em encantado espanto,
essa verdade que só em ti reside e nasce
do oco das palavras, e que em ti se espelham.

Da obra

(1996)
(Robertson Frizero Barros)

Posted by Frizero at 20:49:03
Comments

2 Responses to “Poesia”

  1. Frizero says:

    O quadro que ilustra o poema é “O Leitor”, de Marc Chagall.

  2. Maurício Chemello says:

    destruir a farsa é para o mim o ápice
    as palavras trabalhadas revelam o oculto
    e esse teu poetizar pensado muito me agrada
    o véu opaco dos traços é desvelado
    para apresentar a verdade que só em ti
    reside e nasce, e se espelham
    excelente Beto
    essa idéia de poesia é o que acho o mais alto nível
    um dizer multiplicado
    um revelar ousado
    a farsa sendo desconjuntada
    é pura poesia, me deixa inspirado
    a fazer algo revelador para o mundo!
    a desvelar aquilo que vejo e preciso expor
    para fazer outro ver também
    a poesia é mais que palavras cantadas
    é a revelação do mundo.

Leave a Reply