Poesia
A sombra das palavras trespassa os sons e as formas
e aguarda, silenciosa, que te entretenhas
com tais pequenos folguedos:
ela espera, com a tranqüilidade das certezas inatingíveis,
que brinques com tua língua em silêncio pelo desenho das letras,
formes em ti as canções entrecortadas destes versos
e que vás tecendo em ti os sentidos
que esses traços primeiro te tragam.
Mas, depois, sob o véu opaco dos riscos
e das miragens de dicionário,
a sombra das palavras desvendará o bote,
revelará o oculto e destruirá a farsa,
e arrancará de ti, em encantado espanto,
essa verdade que só em ti reside e nasce
do oco das palavras, e que em ti se espelham.
Da obra
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(1996)
(Robertson Frizero Barros)
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20:49:03
O quadro que ilustra o poema é “O Leitor”, de Marc Chagall.
destruir a farsa é para o mim o ápice
as palavras trabalhadas revelam o oculto
e esse teu poetizar pensado muito me agrada
o véu opaco dos traços é desvelado
para apresentar a verdade que só em ti
reside e nasce, e se espelham
excelente Beto
essa idéia de poesia é o que acho o mais alto nível
um dizer multiplicado
um revelar ousado
a farsa sendo desconjuntada
é pura poesia, me deixa inspirado
a fazer algo revelador para o mundo!
a desvelar aquilo que vejo e preciso expor
para fazer outro ver também
a poesia é mais que palavras cantadas
é a revelação do mundo.