Saturday, June 24, 2006

Partes

 

O que restará de mim quando partires?

Estas palavras de amor sinceras e inauditas

Este gesto cordial suspenso em afeto e sonho

Este olhar de saudade em órbitas vazias

Este deserto interior do que jamais será.


 

O que restará de mim quando te fores?

Este pranto de ausência, absurdo e cortante

Este lugar rasgado nas noites tranqüilas

Este listar eterno do que antes eu era

Este abismo espectral em que minha vida nasce.

 

O que serei eu depois que me deixares?

Esta sombra sem forças, véu do caos e do assombro

Este resto de ser a relembrar tua parte

Neste teatro de vidas que se encontram e partem

E que vão a deixar inauditas palavras

Desse amor que surgiu, mas que no ar se perdeu.

 

E esta infinita dor, e este horror de jamais

Ter sido em minha vida algo a conter tua partida.

 

(Robertson Frizero Barros)

Posted by Frizero at 02:18:05
Comments

5 Responses to “Partes”

  1. Frizero says:

    Leiam minhas outras poesias - esqueçam esta.

  2. Iuri says:

    Belíssimo e doloroso.

  3. Iuri says:

    Frizero, Porque ? … achei a poesia excelente e já a repassei para meu grupo de amigos.

  4. Frizero says:

    O quadro que ilustra o poema é “Noite em St. Cloud”, de 1890, de Edward Munch.

  5. Frizero says:

    Esta poesia nasceu cruamente - escrevi-a diretamente aqui, nesta página de BLOG, coisa que jamais faço -, e não fiz nenhum reparo depois de escrita. Creio que ela merecia ser relida e burilada, mas não consigo retomá-la. Fica aqui o registro de um poema em modo bruto, com meu perdão pelas imagens que ainda precisariam ser melhor lapidadas.

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