Partes

O que restará de mim quando partires?
Estas palavras de amor sinceras e inauditas
Este gesto cordial suspenso em afeto e sonho
Este olhar de saudade em órbitas vazias
Este deserto interior do que jamais será.
O que restará de mim quando te fores?
Este pranto de ausência, absurdo e cortante
Este lugar rasgado nas noites tranqüilas
Este listar eterno do que antes eu era
Este abismo espectral em que minha vida nasce.
O que serei eu depois que me deixares?
Esta sombra sem forças, véu do caos e do assombro
Este resto de ser a relembrar tua parte
Neste teatro de vidas que se encontram e partem
E que vão a deixar inauditas palavras
Desse amor que surgiu, mas que no ar se perdeu.
E esta infinita dor, e este horror de jamais
Ter sido em minha vida algo a conter tua partida.
(Robertson Frizero Barros)