Brasil, pólo exportador de pilantragem
Um cidadão de Hong Kong, através de sua denúncia à polícia de Roma, Itália, fez despertar o interesse das autoridades daquele importante destino turístico para a ação de quadrilhas que estariam vilipendiando turistas por meio de coação e de um simulado desconhecimento lingüístico.
Segundo o advogado do Serviço de Defesa do Consumidor da Itália, Sergio Scicchitano, o turista chinês - que pediu às autoridades para ter seu nome mantido em sigilo - teria sido coagido a pagar 990 euros por uma simples cerveja. Suspeita-se que o golpe envolva um grande número de pessoas: o turista foi levado a um bar na famosa Via Venetto, em Roma, onde pediu uma cerveja; algum tempo depois, duas mulheres sentaram-se à mesa e pediram ao garçom duas taças de champagne, às quais ele se recusou a pagar. Mesmo assim, ao pedir a conta, o valor cobrado era de 990 euros; tentando explicar o ocorrido aos donos do bar, ele foi coagido a pagar, já que todos à sua volta diziam não compreender o que ele dizia, pois ele falava em inglês - língua que os presentes fingiram não entender.
O fato poderia ser visto como uma infeliz coincidência para o turista de Hong Kong, mas a polícia romana já registrou outras queixas semelhantes e começou a investigar, a partir desta última denúncia, a possibilidade de haver uma quadrilha especializada nesses tipos de golpe, as quais uniriam os aliciadores e os donos de estabelecimentos comerciais. A nota triste desta notícia é que nas diversas denúncias feitas à polícia de Roma, o aliciador das vítimas, ou seja, o homem que as levava até o bar onde o imbroglio acontecia, era sempre um brasileiro.
E assim vai-se construindo a imagem de nosso país no exterior: pouco a pouco, a cada prostituta que exportamos - pelas mãos sujas e tenebrosas do tráfico de mulheres -, a cada pilantra que vai para a Europa aplicar golpes em turistas incautos, a cada policial carioca que tenta extorquir o turista estrangeiro em visita ao Brasil, a cada parlamentar corrupto que escapa à cassação em plenário, a cada travesti do Bois de Bologne que assalta seus clientes à navalhadas, a cada turista brasileiro que pula a roleta do metrô de Barcelona ou rouba jornais dos dispensers de rua na Alemanha, enfim, a cada mostra que damos aos estrangeiros do famoso e detestável jeitinho brasileiro.