Wednesday, February 1, 2006

Deus Salve a Letônia

Recentemente, em uma cúpula da União Européia realizada na bela cidade de Salzburgo, na Áustria, uma voz de pouca expressão na política internacional foi responsável por trazer uma providencial dose de realidade (o que os anglo-saxões chamariam de reality check) àquela reunião, na qual se discutia o destino da algo artificial unificação da Europa, e por acréscimo a todos os que ainda insistem em ver os mundos através do prisma opaco das ideologias.

Roger de Weck, editor de um jornal suíço de língua alemã e declarada inspiração política de esquerda, instigou a presidente da pequena (e ex-comunista) Letônia, Vaira Vike-Freiberga, a se pronunciar sobre o que ele disse considera “uma ameaça à União Européia trazida pelos países do leste e do centro da Europa por seu alinhamento pró-norte-americano” em seu desejo de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), “sobretudo em um encontro como este, em que celebramos a herança cultural e os valores da democracia européia, da justiça social e de um capitalismo mais humanista”. 

Sua resposta (…) foi algo surpreendente em uma reunião diplomática na qual o clima de polidez artificial é sempre a tônica.  Vike-Frieberga, em um discurso que começou sendo feito em alemão e logo em seguida alternado para o inglês pela própria oradora, começou dizendo se sentir surpresa “pela rapidez com que a Europa havia esquecido o fato de que fora resgatada do jugo nazista durante a Segunda Guerra Mundial quando os estadunidenses entraram no conflito”.  Segundo ela, a segurança da Europa sempre foi construída sobre a certeza de uma “contribuição dos irmãos da América do Norte” sempre à disposição quando necessária.  “Quando os alemães orientais, sob a influência da União Soviética, começou a discutir a manutenção de um arsenal de mísseis balísticos intercontinentais”, disse a presidente da Lituânia, “a Europa sentiu-se segura por estar sob o ‘guarda-chuvas’ de defesa oferecido pela OTAN”.  Ela reforçou ainda sua fala ao “relembrar aos presentes que quando vemos fileiras e fileiras de cruzes brancas nos campos de Flandres e no norte da França, ali também estão representados milhares de soldados canadenses que morreram pela liberdade da Europa, pela liberdade da Holanda, da França e da Itália”. (…)  “(…) Nos últimos anos, em várias partes da Europa, vemos intelectuais e até mesmo políticos enamorados com a idéia do Marxismo e mesmo com o pensamento de que a União Soviética foi a materialização do que o Socialismo e a proteção dos direitos do trabalhador deveriam ser.  Os Estados Unidos da América sempre foram mais realistas.  Ele olharam para nós – Lituânia, Letônia, Estônia e tantos outros países do antigo bloco soviético – como ‘nações cativas’.  Éramos nações cativas de um regime totalitário, e agora somos livres”. (…)

Deixemos de lado as figuras de retórica vazias e analisemos a realidade, todos nós.  Afinal, quantos dos defensores do regime soviético voluntariaram-se, à época, para lá viver e sofrer as agruras de seu regime de exceção e morte das liberdades?  Quantos dos que hoje fazem troça antiamericana ostentando camisetas com o rosto de Osama Bin Laden (até mesmo mulheres!) gostariam de, efetivamente, viver em um país – ou um mundo – por ele controlado? (LEIA O TEXTO COMPLETO ABAIXO)

Recentemente, em uma cúpula da União Européia realizada na bela cidade de Salzburgo, na Áustria, uma voz de pouca expressão na política internacional foi responsável por trazer uma providencial dose de realidade (o que os anglo-saxões chamariam de reality check) àquela reunião, na qual se discutia o destino da algo artificial unificação da Europa, e por acréscimo a todos os que ainda insistem em ver os mundos através do prisma opaco das ideologias.

Roger de Weck, editor de um jornal suíço de língua alemã e declarada inspiração política de esquerda, instigou a presidente da pequena (e ex-comunista) Letônia, Vaira Vike-Freiberga, a se pronunciar sobre o que ele disse considera “uma ameaça à União Européia trazida pelos países do leste e do centro da Europa por seu alinhamento pró-norte-americano” em seu desejo de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), “sobretudo em um encontro como este, em que celebramos a herança cultural e os valores da democracia européia, da justiça social e de um capitalismo mais humanista”. 

Sua resposta – que tomo aqui a liberdade de reproduzir quase em sua totalidade, pela lucidez de suas palavras – foi algo surpreendente em uma reunião diplomática na qual o clima de polidez artificial é sempre a tônica.  Vike-Frieberga, em um discurso que começou sendo feito em alemão e logo em seguida alternado para o inglês pela própria oradora, começou dizendo se sentir surpresa “pela rapidez com que a Europa havia esquecido o fato de que fora resgatada do jugo nazista durante a Segunda Guerra Mundial quando os estadunidenses entraram no conflito”.  Segundo ela, a segurança da Europa sempre foi construída sobre a certeza de uma “contribuição dos irmãos da América do Norte” sempre à disposição quando necessária.  “Quando os alemães orientais, sob a influência da União Soviética, começou a discutir a manutenção de um arsenal de mísseis balísticos intercontinentais”, disse a presidente da Lituânia, “a Europa sentiu-se segura por estar sob o ‘guarda-chuvas’ de defesa oferecido pela OTAN”.  Ela reforçou ainda sua fala ao “relembrar aos presentes que quando vemos fileiras e fileiras de cruzes brancas nos campos de Flandres e no norte da França, ali também estão representados milhares de soldados canadenses que morreram pela liberdade da Europa, pela liberdade da Holanda, da França e da Itália”.   

Vike-Frieberga continuou seu discurso dizendo que “a ligação entre Europa e América é intrínseca e remete à Europa levando suas idéias e ideais ao Novo Mundo – juntamente com as doenças e a extinção dos povos indígenas, é claro. Os europeus levaram à América ideais e destruição.  A América do Norte desenvolveu diferentes modelos dos mesmos valores europeus que herdaram, e a idéia de que existam dois sistemas que sejam incompatíveis, o europeu e o americano, parece-me uma idéia extraordinariamente estranha (…)  O que a ‘Velha Europa’ teme em relação à ‘Nova Europa’?  Que somos amigáveis aos norte-americanos?  Tudo o que pedimos foi para fazermos parte da OTAN, parte do ‘guarda-chuvas’ de defesa do qual a Europa já faz uso a mais de meio século.”

A presidente da Letônia terminou seu discurso voltando-se diretamente à platéia: “vocês viveram em democracias por muito mais tempo que nós. A Áustria, aliás, escapou por pouco de ter vivido uma situação de dominação comunista aos moldes do que viveu a Letônia.  Sintam-se felizes pelo destino que tiveram vocês, não se queixem.  Nos últimos anos, em várias partes da Europa, vemos intelectuais e até mesmo políticos enamorados com a idéia do Marxismo e mesmo com o pensamento de que a União Soviética foi a materialização do que o Socialismo e a proteção dos direitos do trabalhador deveriam ser.  Os Estados Unidos da América sempre foram mais realistas.  Ele olharam para nós – Lituânia, Letônia, Estônia e tantos outros países do antigo bloco soviético – como ‘nações cativas’.  Éramos nações cativas de um regime totalitário, e agora somos livres”.

A lição que nos cabe extrair desse episódio – e das palavras de Vaira Virke-Freiberga – é a de que precisamos, todos nós que nos dedicamos a uma causa, manter abertos os olhos para a realidade que nos cerca e para a história que permeia as idéias que propagamos.  A idéia do antiamericanismo assusta-me na mesma proporção que me atemorizam o anti-cristianismo, o anti-islamismo, o racismo e a xenofobia de quaisquer matizes, mas também desconfio dos que defendem qualquer uma dessas escolas de pensamento ou credos sem o equilíbrio e a abertura para se permitir conhecer o outro lado da moeda. 

Deixemos de lado as figuras de retórica vazias e analisemos a realidade, todos nós.  Afinal, quantos dos defensores do regime soviético voluntariaram-se, à época, para lá viver e sofrer as agruras de seu regime de exceção e morte das liberdades?  Quantos dos que hoje fazem troça antiamericana ostentando camisetas com o rosto de Osama Bin Laden (até mesmo mulheres!) gostariam de, efetivamente, viver em um país – ou um mundo – por ele controlado?

Posted by Frizero at 15:11:24 | Permalink | Comments (2)