Sunday, January 8, 2006

Reacionário até provar o contrário

(…)Muitas vezes fui chamado de reacionário por conta de minhas idéias, tantas delas expressas neste registro quase diário que aqui tenho feito.  Mas não me sinto uma pessoa “aferrada à autoridade constituída”, tampouco oposicionista “às idéias de liberdade, individual ou coletiva”.  Em verdade, muitas das pessoas que um dia denominaram-me reacionário defendiam escolas de pensamento e ideologias político-partidárias que, a meu ver, depunham contra as liberdades individuais e coletivas, defendendo um arraigado controle do Estado sobre a vida dos cidadãos.  Mas, enfim, sou visto como reacionário e gostaria de listar algumas de minhas idéias para coletar a opinião de meus leitores sobre se reacionário é, afinal, o melhor rótulo a mim aplicável (…) Mas diante de todas estas idéias, questiono-me o quanto de mim é reacionário - e o quão mal é pensar como penso e afirmo a quem quiser ouvir.  E não tenho medo de ser chamado de reacionário - dentro de qualquer definição que quiserem usar - se isto significar que seguirei vivendo da forma que hoje vivo, cá com os meus botões. (LEIA O TEXTO COMPLETO ABAIXO)

Segundo a definição lançada no verbete da enciclopédia virtual Wikipedia, aquela que permite a qualquer um editar e publicar informações sobre todo e qualquer assunto (mesmo que conheça pouco ou nada sobre o que escreve), Reacionário é “aquele que se opõe às idéias políticas de liberdade, tanto individual quanto coletiva”.  Outra definição, também citada no mesmo verbete, refere-se ao dicionário Michaelis, que por sua vez define o termo como “adjetivo, pertencente ou relativo ao partido da reação ou ao seu sistema”.  O autor do verbete da Wikipedia complementou sua questionável definição dizendo que “reacionário é aquele aferrado à autoridade constituída”.

Muitas vezes fui chamado de reacionário por conta de minhas idéias, tantas delas expressas neste registro quase diário que aqui tenho feito.  Mas não me sinto uma pessoa “aferrada à autoridade constituída”, tampouco oposicionista “às idéias de liberdade, individual ou coletiva”.  Em verdade, muitas das pessoas que um dia denominaram-me reacionário defendiam escolas de pensamento e ideologias político-partidárias que, a meu ver, depunham contra as liberdades individuais e coletivas, defendendo um arraigado controle do Estado sobre a vida dos cidadãos.  Mas, enfim, sou visto como reacionário e gostaria de listar algumas de minhas idéias para coletar a opinião de meus leitores sobre se reacionário é, afinal, o melhor rótulo a mim aplicável:

¤   Creio que a igualdade de oportunidades é a única forma de igualdade desejável e possível na construção de um futuro de equilíbrio e paz social.

¤   Defendo a idéia de que minha liberdade termina onde a de meu próximo se inicia.

¤   Não concebo direitos sem deveres em contrapartida.

¤   Prego que a liberdade de culto deve ser ampla e basilar em nossa sociedade - exceto para os escroques que abusam da fé de nosso povo.

¤   Acredito que as crianças precisam e que os adolescentes querem ter limites.  E defendo que tais limites devem ser estabelecidos precipuamente pela família, não pela escola, pelo professor ou por quem quer que seja fora do círculo familiar. 

¤   Tenho a certeza de que faz parte do crescimento errar, decepcionar-se, magoar-se e, a partir da queda, erguer-se e seguir vivendo.  E não creio que os pais fazem qualquer bem aos filhos privando-os de passar por estas experiências desde cedo.

¤   Não consigo achar beleza na antecipação da liberdade sexual de crianças e adolescentes - por não conseguir fechar os olhos para o crescimento do número de adolescentes grávidas, de famílias desestruturadas por conta deste fenômeno contemporâneo e pelos reflexos desta desestabilidade familiar em nossa sociedade.  Também não consigo achar razões para a liberação do consumo de drogas - por não conseguir fechar os olhos para os efeitos deletérios que elas causam às pessoas, às relações sociais e ao equilíbrio da sociedade a partir de sua profunda vinculação com o crime e a violência.

¤   Admiro a arte que encontra beleza nas coisas simples da vida, ou que traz aos sentidos as mensagens que, por outros meios, levaríamos tempo demais para absorver.  E abomino a arte que se fecha em si mesma, alimenta-se de si própria, requer longas explicações e memoriais para ser compreendida ou serve apenas de veículo para a egolatria de poucos.

¤   Não creio que a verdade, por completo, esteja em qualquer escola do pensamento, em qualquer religião estabelecida ou nas palavras de qualquer pessoa de nosso tempo.  Vejo as verdades de cada um e procuro unir à minha verdade aquelas que a ela melhor se coadunam.  E por isso não me creio senhor de nenhuma verdade absoluta.

¤   Acredito no poder redentor do perdão e na reconstrução após o caos.

¤   Lamento pelas pessoas que magoei no passado e busco não fazer mais aos outros o que não gostei que me fizessem e o que não quero que me façam no futuro.  E ainda me perturbo, e muito, com a idéia de que eu esteja a fazer mal a alguém, seja quem for.

¤   Não vejo na violência um mal necessário, nem um meio justificável, nem um fim em si próprio.  A violência sempre foi, para mim, a ausência de razão - e por isso preferi sempre a pena à espada.

¤   Não consigo jogar lixo no chão, explorar serviçais e subalternos ou assumir como minha a coisa pública.  Consigo bem dividir em minha mente governo de Estado e patrimônio privado de bem comum.

¤   Não aplaudo o sucesso apenas por estar a dominar a mídia, tampouco a moda apenas por estar estampando os corpos da maioria das pessoas nas ruas.  Não ouço o que não gosto e não assisto ao que não quero apenas por ser o que todos estão a ouvir ou o que todos estão a ver.

¤   Quero acreditar ainda no amor sem interesse e na amizade sem atração física.  Quero acreditar sempre na eternidade da amizade e no desprendimento do amor.

¤   Ainda luto pelo que creio ser certo e admiro profundamente os que têm mais caridade no coração e desprendimento na alma para ir mais à fundo em sua ação em auxílio ao próximo do que eu.

¤   Reciclo o lixo e tenho dificuldade de compreender a posutra de quem ainda não o faz.

¤   Tenho certa ojeriza ao excesso de exercícios físicos e, no fundo, um medo (que admito ser inexplicável, ainda que seja uma crença baseada em casos observados na natureza humana) de que uma grande insistência de trabalhos musculares, em detrimento da produção intelectual,  possa transferir a irrigação sangüínea do cérebro para os bíceps, prejudicando o funcionamento do primeiro.

¤   Não concebo a vida sem humor - e sem bom humor.

¤   Não creio que a livre iniciativa seja a causa primeira da pobreza, tampouco que a pobreza seja a causa primeira da criminalidade.  As dificuldades dos que tentam empreender e dos que lutam para fugir da pobreza em países como o nosso são ambas oriundas das ausências ou sobre-exigências de um Estado incapaz de decidir, inerte para mudar, medroso demais para tomar iniciativas e preso demais aos interesses de poucos para abranger o que é melhor para todos.

¤   E sou radicalmente contra, sim, qualquer tipo de tirania, de qualquer coloração ou tendência, em qualquer lugar onde eu viva e ativamente exerça algum papel como cidadão.

Mas diante de todas estas idéias, questiono-me o quanto de mim é reacionário - e o quão mal é pensar como penso e afirmo a quem quiser ouvir.  E não tenho medo de ser chamado de reacionário - dentro de qualquer definição que quiserem usar - se isto significar que seguirei vivendo da forma que hoje vivo, cá com os meus botões.

Posted by Frizero at 16:11:54
Comments

3 Responses to “Reacionário até provar o contrário”

  1. Rodrigo Pereira says:

    Eu gosto de malhar….e nao sou burro(brincadeira) !!!
    To adorando as leituras, parabens Beto !!
    Rodrigo

  2. Patrícia says:

    Fri,

    Se você é reacionário, o que sobra para mim? Ultramontana?
    "Reacionário" é um xingamento, assim como "subversivo". Para mim, os dois têm igual teor e dizem mais da pessoa que xinga do que daquela que recebe o insulto. É sinal certo de autoritarismo, achar que quem discorda de você tem um "problema".

    Quando leio, em sites como o NoMínimo (que tem bons artigos, por sinal), que se não fosse o feminismo não teríamos as meninas do funk, fico pensando que meu reacionarismo é inevitável. Ao invés de pensar na Elisabeth Bishop ou em alguma executiva de sucesso como exemplo de benefícios do feminismo, a criatura o defende pelos suas conseqüências negativas! Ou ela acha que sexo aos 11 anos e o paradigma da atriz pornô como modelo de comportamento é algo fantástico?

    É, sou ultramontana mesmo. Pelo menos você não está só!

  3. Edwin Lang says:

    Você é meu reacionário favorito, meu caro. Se ser revolucionário é esta meleca que apregoam e apregoaram desde sempre, também sou um baita reaça…

    Não sei se foi o Ziraldo ou o Veríssimo (filho):

    "Ditadura é quando eles mandam em nós. Democracia é quando nós mandamos neles"…

    Tudo é ponto de vista. O termo reacionário é polêmico mesmo. Já diria Spotswood: "se você não viu um homem comer a própria cabeça, você ainda não viu de tudo."

    Abraços
    Lang

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