Futuro possível
Ainda acredito em um futuro melhor para o país onde viverei meus próximos anos de vida. Confesso, contudo, que me causa um desconforto assolador, uma revolta quase incontrolável, uma tristeza profundíssima ao ler notícias como a que acabo de conhecer por meio de um jornal local.
Trata-se da história de um menino que, na ausência do irmão mais velho, resolveu assumir as funções deste, de imensa periculosidade, para manter em família o ganha-pão conseguido com dificuldade. Mas não há nada de edificante nesta ocorrência que soa tão banal: a grande e assustadora revelação é que a polícia civil da cidade paulista de Sorocaba descobriu o tal menino, de apenas dez anos, atuando como líder de um ponto de tráfico de drogas em um bairro da periferia daquele município. A criança foi presa em 03 de janeiro de 2006 portando armas, munição e grande quantidade de maconha preparada para distribuição. Ao ser questionado pelos policiais, já na delegacia, o menino, que mora com os pais, revelou que havia herdado o negócio de um irmão mais velho, de apenas dezesseis anos de idade, o qual encontra-se detido em uma unidade da Fundação do Bem-Estar do Menor (FEBEM) em São Paulo. (…)(LEIA O TEXTO COMPLETO ABAIXO)
Ainda acredito em um futuro melhor para o país onde viverei meus próximos anos de vida. Confesso, contudo, que me causa um desconforto assolador, uma revolta quase incontrolável, uma tristeza profundíssima ao ler notícias como a que acabo de conhecer por meio de um jornal local.
Trata-se da história de um menino que, na ausência do irmão mais velho, resolveu assumir as funções deste, de imensa periculosidade, para manter em família o ganha-pão conseguido com dificuldade. Mas não há nada de edificante nesta ocorrência que soa tão banal: a grande e assustadora revelação é que a polícia civil da cidade paulista de Sorocaba descobriu o tal menino, de apenas dez anos, atuando como líder de um ponto de tráfico de drogas em um bairro da periferia daquele município. A criança foi presa em 03 de janeiro de 2006 portando armas, munição e grande quantidade de maconha preparada para distribuição. Ao ser questionado pelos policiais, já na delegacia, o menino, que mora com os pais, revelou que havia herdado o negócio de um irmão mais velho, de apenas dezesseis anos de idade, o qual encontra-se detido em uma unidade da Fundação do Bem-Estar do Menor (FEBEM) em São Paulo.
Dez anos de idade, é preciso frisar e, com isso, peço que os que me lêem pensem em alguma criança que conheçam e que tenham também apenas dez anos de idade. Lembrem-se dela agora, e de quando tínhamos dez anos de idade, e talvez possamos mensurar melhor sobre a gravidade de tal descoberta sinistra feita pelos policiais sorocabanos.
Por ser menor de doze anos de idade, o menino-traficante de Sorocaba não poderá sequer responder ao crime, mesmo para encaminhamento a uma unidade de recuperação de menores como aquela na qual seu irmão se encontra. Sei que há os que gritaram mentalmente, de imediato, pela necessidade urgente de reduzir-se a idade criminal no Brasil. Mas, de minha parte, confesso que não sei mais se tal situação é benéfica ou ruim para a sociedade, já que as FEBEM em quase todo o Brasil tornaram-se, ao longo dos últimos anos, depósitos cruéis de menores e autênticas escolas de criminalidade, cujo intuito parece mesmo ser apenas o de afastar dos olhos dos pagadores de impostos (e dos sonegadores, é bom recordar) aquela pústula desagradável que nos grita aos olhos a incompetência do Estado no trato de suas crianças.
E aí, marido? Quantos filhos nós NÃO vamos ter? Eu quero é ir embora do Brasil…