Crime e castigo
O Governo Federal aprovou, em 04 de janeiro de 2006, a imediata liberação de vinte e cinco mil detentos no intuito de descongestionar duzentas e setenta e sete mil presídios em todo o país. A decisão, tomada em reunião chefiada pelo presidente da república, foi sugerida pelo Ministro da Justiça e deverá incluir presos cuja pena já tenha sido cumprida, mas que por problemas judiciais ainda são mantidos no cárcere, presos com condições de saúde precárias e aqueles presos incluídos na chamada “terceira idade”. O governo pretende, ainda, buscar meios de facilitar o pagamento de fiança, ou buscar junto à Justiça o relaxamento de tal necessidade, para aqueles que tenham condições de obter a liberdade mediante tal contrapartida financeira. (…) As ações tomadas pelo Governo Federal são louváveis, sem dúvida e, em minha opinião de quem acompanha a problemática da Segurança Pública há alguns anos, acertadas caso sejam levadas com seriedade em cada um dos passos previstos pelo programa acima descrito. Lamento apenas que todas estas boas idéias listadas serão tomadas pelo Governo da Nigéria, o país mais populoso da África, e não pelo governo brasileiro, cuja inépcia em resolver a questão da criminalidade e da educação em nosso país já se tornou anedótica. (…) (LEIA O TEXTO COMPLETO ABAIXO)
O Governo Federal aprovou, em 04 de janeiro de 2006, a imediata liberação de vinte e cinco mil detentos no intuito de descongestionar duzentas e setenta e sete mil presídios em todo o país. A decisão, tomada em reunião chefiada pelo presidente da república, foi sugerida pelo Ministro da Justiça e deverá incluir presos cuja pena já tenha sido cumprida, mas que por problemas judiciais ainda são mantidos no cárcere, presos com condições de saúde precárias e aqueles presos incluídos na chamada “terceira idade”. O governo pretende, ainda, buscar meios de facilitar o pagamento de fiança, ou buscar junto à Justiça o relaxamento de tal necessidade, para aqueles que tenham condições de obter a liberdade mediante tal contrapartida financeira.
O programa governamental, contudo, prevê que os presos libertos passarão, obrigatoriamente, por um programa de reabilitação em casas de custódia especiais estabelecidas em todas as regiões do país antes de serem reintegrados à sociedade. O apoio social incluirá cursos profissionalizantes e ações de inserção dos ex-apenados na sociedade por meio de empregos concedidos por empresas parceiras do Estado.
O fator motivador de tal ação do governo foi, principalmente, o aumento no número de motins e rebeliões ocorridos nos últimos tempos. Descobriu-se que tais eventos eram propiciados pelo grande números de presos por casa prisional, muito deles apenas aguardando julgamento. O governo teme que o problema se agrave e atinja níveis de risco para a sociedade caso não seja repensado o sistema prisional do país.
O programa de libertação de presos acontecerá com o apoio de Conselhos a serem implementados em cada casa prisional, os quais serão compostos por membros de organizações não-governamentais e em caráter voluntário, sem dispêndios extras para o governo.
As ações tomadas pelo Governo Federal são louváveis, sem dúvida e, em minha opinião de quem acompanha a problemática da Segurança Pública há alguns anos, acertadas caso sejam levadas com seriedade em cada um dos passos previstos pelo programa acima descrito. Lamento apenas que todas estas boas idéias listadas serão tomadas pelo Governo da Nigéria, o país mais populoso da África, e não pelo governo brasileiro, cuja inépcia em resolver a questão da criminalidade e da educação em nosso país já se tornou anedótica.
As soluções para a Segurança Pública em nosso país existem. Tive a oportunidade, como disse recentemente por aqui, de ir a vários congressos, seminários, simpósios e reuniões com autoridades de todos os poderes sobre o tema, e as alternativas para buscar uma saída são inúmeras. Mas, curiosamente, parece que ninguém está disposto a tomar as atitudes, a assumir a paternidade de um projeto como este que o governo nigeriano começou a desenhar a partir do dia de ontem. As secretarias de segurança pública dos estados brasileiros - e mesmo sua equivalente no Governo Federal - parecem mais preocupadas em ações paliativas que evitem criar turbulências na administração dos mandatários do momento do que em promover ações efetivas de recuperação, ressocialização e reentrada dos apenados na sociedade. Nossas casas prisionais são, com raras exceções, meros “depósitos de gente” onde a sociedade enjaula seus “indesejáveis” para não mais os ver o rosto que lhes faz recordar da falência do Estado em tantas outras áreas como educação, habitação e saúde, apenas para citar algumas. E então perenizamos na vida criminosa alguns cidadãos que talvez pudessem voltar a viver uma vida produtiva para si e para o país.
Mas parece que esse tipo de revés só atinge países mais “problemáticos” que nós, como a Nigéria, berço de muitos de nossos antepassados escravizados.