E Por Que Não?!?
teu sangue não é igual ao meu
teu nome não fui eu quem deu
te conheço desde que nasceu
E por que não?
(Letra de ‘E Por Que Não?’, canção da banda gaúcha Bidê ou Balde?)
Passamos por um período conturbado de nossa história no qual a perseguição político-ideológica motivou a censura impensada (e, na maioria absoluta das vezes, burra) e o silêncio de idéias mais progressistas que, creio eu, fizeram com que nosso país ficasse para trás em muitas áreas do conhecimento e das artes. (…) Mas não consigo conceber a idéia de que não haja nenhum tipo de controle sobre o que é divulgado pelas rádios e emissoras de televisão, concessõs públicas, nem que seja uma auto-regulação que funcione a serviço dos interesses da sociedade. Remeto-me à recente polêmica em torno da canção ‘E Por Que Não?’, de uma banda de rock gaúcha chamada ‘Bidê ou Balde?’. (…)Até para ser ‘moderninho’ e libertário há um limite. (LEIA O TEXTO COMPLETO ABAIXO)
teu sangue não é igual ao meu
teu nome não fui eu quem deu
te conheço desde que nasceu
E por que não?
(Letra de ‘E Por Que Não?’, canção da banda gaúcha Bidê ou Balde?)
Passamos por um período conturbado de nossa história no qual a perseguição político-ideológica motivou a censura impensada (e, na maioria absoluta das vezes, burra) e o silêncio de idéias mais progressistas que, creio eu, fizeram com que nosso país ficasse para trás em muitas áreas do conhecimento e das artes. Acredito mesmo que os anos de governo militar criaram um hiato que fez com que saltássemos do século XIX diretamente para um pós-modernismo que se sonha do século XXI mas, muitas vezes, arvora-se a desconstruir cânones que sequer chegaram a ser estabelecidos no Brasil. Mas não consigo conceber a idéia de que não haja nenhum tipo de controle sobre o que é divulgado pelas rádios e emissoras de televisão, concessõs públicas, nem que seja uma auto-regulação que funcione a serviço dos interesses da sociedade.
Remeto-me à recente polêmica em torno da canção ‘E Por Que Não?’, de uma banda de rock gaúcha chamada ‘Bidê ou Balde?’. A canção tem em sua letra a mensagem explícita de incitação ao incesto e, aos ouvidos tortuosos de alguns, até mesmo à violência sexual contra menores (aos que vêem em minhas palavras um exagero, que leiam o pequeno trecho que inicia este texto), e isso motivou uma ação do Ministério Público para que sua execução em espetáculos e meios de comunicação seja proibida. O mais curioso é que algumas vozes se levantaram em defesa da banda, em nome da tal ‘liberdade de expressão’, e a mais forte delas é do autor da canção e vocalista do grupo, um tal Carlinhos Carneiro. Ele queixa-se que a atitude do Ministério Público é autoritária - isso porque a banda foi contatada para, através de um acordo cuja proposta antecedeu o início da ação, desistir de apresentar a tal canção - e vai contra a ‘liberdade artística’ do grupo.
Pergunto-me até onde deve ir a tal ‘liberdade de expressão’ defendida tão arduamente pelos intelectuais do momento em nosso país. A incitação ao crime (sim, o abuso sexual de menores ainda é crime neste nosso país importador informal de turistas sexual) deve entrar no mesmo lote de idéias a serem defendidas contra o abominável controle social? É bom realçar que não se condena aqui a liberdade que todos temos de pensar o que quisermos, de sermos quão louco possamos dentro das quatro paredes de nosso lar e de nossa mente - mas, sim, que se permita a veiculação pública por parte de músicos populares que, em um país de tão pouca leitura, são importantes formadores de opinião, de uma mensagem tão abjeta quanto esta.
Questiono-me ainda sobre quais terão sido as fontes de inspiração de tal compositor, e que público ele buscava agradar quando escreveu versos como ‘eu estou adorando/ver a minha menina/com algumas colegas/dela da escolinha’?
Oxalá as cabeças pensantes deste país percam o medo de ir contra a falsa liberdade pregada pelos que defendem a liberação de tudo. Que mais pessoas se levantem de suas poltronas e respondam ao autor desta e de outras expressões artísticas questionáveis a pergunta: ‘E Por Que Não?’.
Até para ser ‘moderninho’ e libertário há um limite.

Há que manter a mente aberta, vá lá, é o que todos dizem hoje em dia… E procuro manter tal estado de receptividade às novas idéias… Mas é bom, ao menos, dar uma espiadela de vez em quando para ver que novidades são essas que vão entrando assim, aos borbotões, nas nossas mentes incautas…