Friday, September 30, 2005

E Por Que Não?!?

‘E por que não?
teu sangue não é igual ao meu
teu nome não fui eu quem deu
te conheço desde que nasceu
E por que não?

(Letra de ‘E Por Que Não?’, canção da banda gaúcha Bidê ou Balde?)

                  Passamos por um período conturbado de nossa história no qual a perseguição político-ideológica motivou a censura impensada (e, na maioria absoluta das vezes, burra) e o silêncio de idéias mais progressistas que, creio eu, fizeram com que nosso país ficasse para trás em muitas áreas do conhecimento e das artes. (…) Mas não consigo conceber a idéia de que não haja nenhum tipo de controle sobre o que é divulgado pelas rádios e emissoras de televisão, concessõs públicas, nem que seja uma auto-regulação que funcione a serviço dos interesses da sociedade. Remeto-me à recente polêmica em torno da canção ‘E Por Que Não?’, de uma banda de rock gaúcha chamada ‘Bidê ou Balde?’. (…)Até para ser ‘moderninho’ e libertário há um limite. (LEIA O TEXTO COMPLETO ABAIXO)

‘E por que não?
teu sangue não é igual ao meu
teu nome não fui eu quem deu
te conheço desde que nasceu
E por que não?

(Letra de ‘E Por Que Não?’, canção da banda gaúcha Bidê ou Balde?)

                  Passamos por um período conturbado de nossa história no qual a perseguição político-ideológica motivou a censura impensada (e, na maioria absoluta das vezes, burra) e o silêncio de idéias mais progressistas que, creio eu, fizeram com que nosso país ficasse para trás em muitas áreas do conhecimento e das artes. Acredito mesmo que os anos de governo militar criaram um hiato que fez com que saltássemos do século XIX diretamente para um pós-modernismo que se sonha do século XXI mas, muitas vezes, arvora-se a desconstruir cânones que sequer chegaram a ser estabelecidos no Brasil. Mas não consigo conceber a idéia de que não haja nenhum tipo de controle sobre o que é divulgado pelas rádios e emissoras de televisão, concessõs públicas, nem que seja uma auto-regulação que funcione a serviço dos interesses da sociedade.

                   Remeto-me à recente polêmica em torno da canção ‘E Por Que Não?’, de uma banda de rock gaúcha chamada ‘Bidê ou Balde?’. A canção tem em sua letra a mensagem explícita de incitação ao incesto e, aos ouvidos tortuosos de alguns, até mesmo à violência sexual contra menores (aos que vêem em minhas palavras um exagero, que leiam o pequeno trecho que inicia este texto), e isso motivou uma ação do Ministério Público para que sua execução em espetáculos e meios de comunicação seja proibida. O mais curioso é que algumas vozes se levantaram em defesa da banda, em nome da tal ‘liberdade de expressão’, e a mais forte delas é do autor da canção e vocalista do grupo, um tal Carlinhos Carneiro. Ele queixa-se que a atitude do Ministério Público é autoritária - isso porque a banda foi contatada para, através de um acordo cuja proposta antecedeu o início da ação, desistir de apresentar a tal canção - e vai contra a ‘liberdade artística’ do grupo.

                      Pergunto-me até onde deve ir a tal ‘liberdade de expressão’ defendida tão arduamente pelos intelectuais do momento em nosso país. A incitação ao crime (sim, o abuso sexual de menores ainda é crime neste nosso país importador informal de turistas sexual) deve entrar no mesmo lote de idéias a serem defendidas contra o abominável controle social? É bom realçar que não se condena aqui a liberdade que todos temos de pensar o que quisermos, de sermos quão louco possamos dentro das quatro paredes de nosso lar e de nossa mente - mas, sim, que se permita a veiculação pública por parte de músicos populares que, em um país de tão pouca leitura, são importantes formadores de opinião, de uma mensagem tão abjeta quanto esta.

                   Questiono-me ainda sobre quais terão sido as fontes de inspiração de tal compositor, e que público ele buscava agradar quando escreveu versos como ‘eu estou adorando/ver a minha menina/com algumas colegas/dela da escolinha’?

                   Oxalá as cabeças pensantes deste país percam o medo de ir contra a falsa liberdade pregada pelos que defendem a liberação de tudo. Que mais pessoas se levantem de suas poltronas e respondam ao autor desta e de outras expressões artísticas questionáveis a pergunta: ‘E Por Que Não?’.

                   Até para ser ‘moderninho’ e libertário há um limite.

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Modelos

                    Leio nos jornais de hoje a notícia da agressão sofrida por uma adolescente marroquina de 13 anos na Itália.(…) A notícia entristeceu-me e fez com que eu me lembrasse dos casos que eu conheci e até mesmo presenciei quando estive na Europa há doze anos atrás.

                    Leio nos jornais de hoje a notícia da agressão sofrida por uma adolescente marroquina de 13 anos na Itália. A menina foi fisicamente agredida, xingada com expressões racistas e, para assinar a ‘obra’, os agressores ainda arranharam o braço da jovem com uma pedra, formando o desenho de uma suástica. O fato aconteceu na pequena cidade de Tollegno e a menina, filha de pai italiano e mãe marroquina, foi atacada enquanto ia para a escola por três rapazes que há tempos vinham assediando a jovem, chamando-a de ‘imigrante’ e mandando que ela fosse embora do ‘país deles’.

                   A notícia entristeceu-me e fez com que eu me lembrasse dos casos que eu conheci e até mesmo presenciei quando estive na Europa há doze anos atrás: um grupo de banhistas em um balneário do Mediterrâneo que se recusou a fazer um cordão de salvamento para uma menina de cinco anos de idade que se afogava por ser ela ‘apenas uma imigrante’; um marroquino que foi espancado na Holanda por policiais depois de bater com o automóvel em um hidrante por estar tendo um ataque do coração; um outro marroquino que teve lesões cerebrais por ter tido sua respiração interrompida por uma fita autocolante que policiais lhe colocaram na boca para que parasse de gritar em sua ‘irritante língua estrangeira’.

                       O caso que mais me chocou, talvez pela proximidade que tive do ocorrido, aconteceu com um companheiro meu de viagem. Estávamos na Bélgica, em Antuérpia, e ele falava ao telefone com a família no Brasil. Por ser negro e estar falando em português, foi violentamente agredido por um grupo de jovens com suas botas negras e cabeças raspadas. Meu amigo só não teve maiores complicações por ser praticante de artes marciais e ter conseguido proteger o rosto com os braços, em posição defensiva. Mesmo assim, ele passou boa parte da viagem recuperando-se dos ferimentos no corpo, dos cortes no rosto e da ferida na gengiva rasgada por um chute de um dos belgas revoltados com o possível ‘imigrante’ que lhe invadia a bela terra natal.

                       Não proclamo aqui, com estes relatos, ódio algum a quem quer que seja, boicote ou levante contra os europeus. Apenas queria registrar minha indignação aos que insistem em buscar no estrangeiro os modelos de civilização que deveriam, em sua opinião, ser implementados no Brasil para que nos tornássemos ‘um país de primeiro mundo’. Creio que já é hora de buscarmos nosso caminho a nosso modo, dentro das crenças que temos de que país queremos para nós todos. Espelhar-se em modelos que nossa visão de estrangeiros pinta com cores suaves pode ser uma terrível armadilha para o nosso futuro como nação.

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Thursday, September 29, 2005

Pose

bouvard

 (…) Parece que os cacoetes ideológicos daqueles anos de radicalismos de todos os matizes, tão criticados por Nelson Rodrigues, ainda permanecem nos dias de hoje. Atrevo-me a dizer, contudo, que a empáfia que vemos em boa parte da intelectualidade brasileira de hoje não é apenas um resultado daquelas posturas combatidas pelo dramaturgo e cronista, mas algo que é inerente à posição de membro da ‘inteligentzia’ de qualquer país - a pose. (LEIA TEXTO COMPLETO ABAIXO)

bouvard ‘O leitor, em sua espessa ingenuidade, não imagina como nós, intelectuais, precisamos de poses. Cada frase nossa, ou gesto, ou palavrão é uma pose e, diria mesmo, um quadro plástico. Ah, nossas posturas ideológicas, literárias, éticas, etc. etc. Agimos e reagimos de acordo com os fatos do mundo. Se há o Vietnã nós somos vietcongs; mas se a Rússia invade a Tchecoslováquia, vestimos a pose tcheca mais agressiva. E as variações do nosso histrionismo chegam ao infinito.’
(Nelson Rodrigues - texto ‘El Arzobispo de la Revolución’ (1968), In Rodrigues, Nelson. A Cabra Vadia: Novas Confissões. São Paulo: Cia das Letras, 1995, p.237)

                          Fui apresentado hoje a algumas crônicas de um de nossos mais interessantes e profícuos dramaturgos, Nelson Rodrigues, e confesso que estou encantado com o que li. Não conhecia sua faceta de cronista, infelizmente era jovem demais para acompanhar sua participação na imprensa carioca à época, mas o que me espantou positivamente nas crônicas de Nelson Rodrigues é a sua atualidade.

                              Os textos a que tive acesso pela Internet são dos anos de 1968 a 1970, época conturbada de nossa história na qual Nelson Rodrigues teve a corajosa postura de ser um conservador entre seus amigos intelectuais de esquerda em um período no qual ser conservador era um pecado ainda maior do que o é hoje em dia.

                              Parece que os cacoetes ideológicos daqueles anos de radicalismos de todos os matizes, tão criticados por Nelson Rodrigues, ainda permanecem nos dias de hoje. Atrevo-me a dizer, contudo, que a empáfia que vemos em boa parte da intelectualidade brasileira de hoje não é apenas um resultado daquelas posturas combatidas pelo dramaturgo e cronista, mas algo que é inerente à posição de membro da ‘inteligentzia’ de qualquer país - a pose.

                                Ao pertencer a uma certa ‘nata intelectual’ da sociedade, parece que cada palavra, cada posição é primeiro pensada como uma pose (permitam-me roubar a metáfora de Nelson), aos moldes das formas estabelecidas pelo estatuário grego dos antigos - que por anos a fio ‘engessaram’ a arte de nossos escultores a um repertório de poucas variações… Fugir da pose, ou seja, dizer ou pensar algo fora da cartilha ideológica exigida pela ‘minoria pensante’ é alijar-se a si mesmo do convívio agradável dos saraus literários, das festas moderninhas, dos corredores da academia e dos segundos cadernos dos jornais.

                                Tudo isso me faz pensar no quão profético foi Gustave Flaubert ao escrever seu inacabado ‘Bouvard e Pecuchét’. Nesse romance divertidíssimo, se bem me recordo, os dois protagonistas são pobretões que repentinamente herdam uma boa herança e começam a se dedicar à tarefa de se tornar parte da alta sociedade. Para tal, arvoram-se a investir em diversas artes e ofícios - mas nunca indo a fundo e estudando-as nas fontes mais confiáveis, antes preferindo a superficialidade das noções mais conhecidas pelo vulgo sobre o assunto em questão. O resultado, logicamente, era o de insucessos após insucessos. Por fim, os personagens de Flaubert começam a escrever um dicionário - o ‘Dicionário das Idéias Prontas’ - reunindo verbetes que expressavam o pouco que eles deveriam saber sobre cada tema para que pudessem manter uma boa conversa nas reuniões sociais junto aos nobres e abastados.

                                Flaubert falava de seu tempo, mas sua irônica visão é facilmente aplicável aos dias de hoje, onde recebem a honraria de intelectual pessoas de pouca ou nenhuma leitura, mas que transitam com tranqüilidade pela imprensa e pelos meios mais abastados tendo lido apenas os livros do ‘cânone torto’ de certa ideologia vigente - isso sem falar dos leitores de um único livro, pelo qual parecem ver e analisar toda a realidade ao seu redor. Se perguntado sobre teatro - diga-lhes que ‘teatro é subversão’, que a ‘linguagem teatral deve ser inovadora’, salpique o discurso com palavras como ‘desconstrução’ e ‘releitura’ e tudo bem. Obras de arte não precisam fazer sentido, nem serem belas, e a função da poesia é ser visual, não emotiva. Se o assunto é política - mencione os adjetivos ‘participativo’, ’solidário’ e ‘democrático’, não necessariamente nessa ordem, e tudo se ajeita. Ao falar de controle ou censura (anátema!), seja contrário, mesmo que a coisa a ser controlada faça apologia às drogas, ao crime ou ao sexo sem responsabilidade. Falar qualquer coisa diferente disso pode levar o cidadão a ser crucificado como reacionário, fascista ou ignorante.

                                Concordo com os que dizem que intelectual autêntico é o que se apavora com o tanto de coisas no mundo que ele ainda não conhece e domina, e usa esse sentimento para movimentá-lo através do mundo do conhecimento. Quem conhece bem uma meia dúzia de livros e vive de fazer pose de filósofo, não é mais que um histriônico ator aos moldes do que Nelson Rodrigues condenava entre os intelectuais de seu tempo.

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No começo, era o verbo…

                                 Não há nestes registros pretensão maior que a de dialogar com os eventuais visitantes sobre os mais diversos temas aos quais temos acesso por intermédio dos livros, da imprensa porto-alegrense e, eventualmente, por outros meios de acesso ao mundo… E se dedico algum espaço em minha conflitada agenda para escrever aqui sob essa perspectiva, é porque acredito que a cidade de Porto Alegre (e o Brasil em geral) merecia uma imprensa com o olhar mais voltado para o mundo, menos engajada nesta ou naquela ideologia, mais aberta ao que de melhor há nesta cidade que tem tudo para ser ainda mais maravilhosa. De algum modo, estes registros também pretendem ser a visão de um “estrangeiro”, de um carioca que adotou o Rio Grande do Sul como seu rincão no mundo, sobre o que há de melhor e pior nesta “nossa” terra, em nosso país e em nosso mundo.

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Wednesday, September 28, 2005

Mente Aberta

openmind Há que manter a mente aberta, vá lá, é o que todos dizem hoje em dia… E procuro manter tal estado de receptividade às novas idéias… Mas é bom, ao menos, dar uma espiadela de vez em quando para ver que novidades são essas que vão entrando assim, aos borbotões, nas nossas mentes incautas…

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Ilusão Praieira


Aos meus olhos cansados, parece que o vento
Jamais apagará o que escrevi na areia…
Mas não há juras eternas: o apagar é lento.

Da obra

(2006)
(Robertson Frizero Barros)

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Somos o Nordeste

Mas, será mesmo que a corrupção no Brasil é uma questão geográfica?  Estará ela definida em nosso território pelos imaginários trópicos?  Compreendo as raízes da impressão equivocada dos que apontam o Nordeste brasileiro com dedos de acusação, pois muitos dos políticos que se envolveram nos últimos anos nos grandes escândalos de corrupção no poder público eram, em grande parte, de estados daquela região.  Mas insisto em afirmar a quem quer que defenda essas idéias que a corrupção em nosso país está se tornando, tristemente, endêmica e existe em qualquer canto desta terra. 

                            Hoje ouvi alguém a comentar no ônibus que todos os dias tomo para ir ao trabalho que a “crise moral” pela qual passa o nosso país - e tão bem representada pelos escândalos políticos que pululam na capital federal no presente momento - era um produto de uma certa “nordestização” da política brasileira, calcada, segundo o dono desse discurso improvisado que fui forçado a ouvir, “no costume tão nordestino de corromper e subornar para angariar vantagens”.

                            Mas, será mesmo que a corrupção no Brasil é uma questão geográfica?  Estará ela definida em nosso território pelos imaginários trópicos?  Compreendo as raízes da impressão equivocada dos que apontam o Nordeste brasileiro com dedos de acusação, pois muitos dos políticos que se envolveram nos últimos anos nos grandes escândalos de corrupção no poder público eram, em grande parte, de estados daquela região.  Mas insisto em afirmar a quem quer que defenda essas idéias que a corrupção em nosso país está se tornando, tristemente, endêmica e existe em qualquer canto desta terra.  Diria ainda mais - vejo um corrupto em potencial em cada um de nós, pois estamos entrando, sem nos apercebermos muito bem, em um estado de relativização total do crime e da desonestidade.  Para o ser humano, é bem mais fácil dar um “rótulo” a alguém e, assim, ver o outro de forma mais simples e direta, sem o esforço enorme que é tentar se colocar no lugar do semelhante.  Por isso é tão mais fácil ver no estado atual de coisas do Brasil um reflexo de uma tal “Nodestização” da vida brasileira, que sinceramente não concordo existir. 

                              Não seria forçado dizer que todos nós, brasileiros, estamos acostumados a cometer pequenos delitos.  A esperteza proverbial do brasileiro, sua capacidade (muitas vezes elogiada) de improvizar nada mais são que, na maioria das vezes, um talento inato para não cumprir as regras.  Se isso é maravilhoso quando falamos das artes e das ciências, quando a criatividade de nossos patrícios gera beleza e riquezas, tal “qualidade” torna-se destruidora quando a questão é a nossa vida em sociedade.  Consideramos normal certos tipos de favorecimento obtidos por meio de conhecimentos nossos, achamos que é inteligência economizar dinheiro comprando produtos contrabandeados ou pirateados no camelô da esquina, furamos a fila e não damos o lugar para o idoso no transporte público, jogamos o lixo no chão e quebramos os orelhões porque a rua e o telefone público são “responsabilidade do governo” - e o que é “público” no Brasil é visto como “coisa de ninguém” - e vemos tudo isso como coisa normal. 

                              Se olharmos bem para nossas próprias atitudes, nós, brasileiros de todos os cantos do país, veremos que o ‘Nordeste’ um tanto imaginário da corrupção generalizada e do desmando sem regramento é aqui mesmo, ao nosso redor.  Ao deixarmos de cobrar de nossos parlamentares as ações que foram suas promessa de campanha, ao desistirmos de acompanhar a atuação de nossos governantes, ao considerarmos que a conseqüência natural de uma eleição para um cargo público é o enriquecimento pessoal e o mal uso da máquina estatal, ao calarmos diante da malversação de verbas públicas vista tantas vezes no serviço público, ao considerarmos normal e aceitável a sonegação de impostos e a propina, estamos tendo as mesmas atitudes que o “eleitor nordestino” proverbial que evocamos ao dizer que o Brasil vive um tal processo de “Nordestização”.   

Posted by Frizero at 22:52:26 | Permalink | Comments (1) »