Abismo de Pássaros
Os poemas são pássaros
nascidos no longínqüo,
sem ninho ou destino,
que vivem sem tempo.
Sem pouso e sem vontade,
seguem voando, eternos,
nas linhas de meu horizonte.
O poema é, em si:
vaga na angústia do sonho,
segue o vento em vôo lento,
mergulha das densas alturas
e eterniza-se, por fim,
abismando-se em mim.
Da obra
![]()
(1996)
(Robertson Frizero Barros)
Posted by
at
11:32:44
A imagem que acompanha o poema é uma serigrafia de Henri Matisse, de 1947, intitulada "Les Oiseaux" ("Os Pássaros").
Tua arte realmente me faz pensar, Frizero.
Na beleza atemporal dos poemas e na de poesias em outras formas, como escultura e música. Um estátua de bronze ilustra bem o que acho que tu quisestes dizer com teu poema. Imagine a famosa estátua do pensador. Poesia pura, sólida, eterna para nós que somos carne impura e passageira.
Ou na música de Tom Jobim: "parece dezembro, de um ano, tão lindo…"
Cabe hoje, cabia há dez anos, vai caber sempre que estivermos contentes, leves…poetas.
Parabéns meu amigo
Este “Abismo de Pássaros” foi premiado com o primeiro lugar na categoria Poesia no Concurso Literário promovido pela Academia Brasileira de Letras e pela Escola Naval no ano de 1992.
Este poema foi também publicado nos seguintes endereços na Internet:
Em um blog da cidade de Cotia/SP:
http://deialouka.zip.net/index.html (sem creditar a minha autoria…em 05 de setembro de 2005)
Em um blog de Lisboa, Portugal:
http://gatinhosvoadores.blogspot.com/2005_10_01_gatinhosvoadores_archive.html (com a minha autoria creditada, no dia 07 de outubro de 2005)