Friday, December 23, 2005

Abismo de Pássaros

Os poemas são pássaros
nascidos no longínqüo,
sem ninho ou destino,
que vivem sem tempo.
Sem pouso e sem vontade,
seguem voando, eternos,
nas linhas de meu horizonte.
O poema é, em si:
vaga na angústia do sonho,
segue o vento em vôo lento,
mergulha das densas alturas
e eterniza-se, por fim,
abismando-se em mim.

Da obra

(1996)
(Robertson Frizero Barros)

Posted by Frizero at 11:32:44
Comments

4 Responses to “Abismo de Pássaros”

  1. Frizero says:

    A imagem que acompanha o poema é uma serigrafia de Henri Matisse, de 1947, intitulada "Les Oiseaux" ("Os Pássaros").

  2. Edwin Lang says:

    Tua arte realmente me faz pensar, Frizero.
    Na beleza atemporal dos poemas e na de poesias em outras formas, como escultura e música. Um estátua de bronze ilustra bem o que acho que tu quisestes dizer com teu poema. Imagine a famosa estátua do pensador. Poesia pura, sólida, eterna para nós que somos carne impura e passageira.

    Ou na música de Tom Jobim: "parece dezembro, de um ano, tão lindo…"
    Cabe hoje, cabia há dez anos, vai caber sempre que estivermos contentes, leves…poetas.

    Parabéns meu amigo

  3. Frizero says:

    Este “Abismo de Pássaros” foi premiado com o primeiro lugar na categoria Poesia no Concurso Literário promovido pela Academia Brasileira de Letras e pela Escola Naval no ano de 1992.

  4. Frizero says:

    Este poema foi também publicado nos seguintes endereços na Internet:

    Em um blog da cidade de Cotia/SP:
    http://deialouka.zip.net/index.html (sem creditar a minha autoria…em 05 de setembro de 2005)

    Em um blog de Lisboa, Portugal:
    http://gatinhosvoadores.blogspot.com/2005_10_01_gatinhosvoadores_archive.html (com a minha autoria creditada, no dia 07 de outubro de 2005)

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