Excessos de Democracia
“Eu não sei se a América Latina teve um presidente com as experiências democráticas colocadas em prática na Venezuela. Poderia até se dizer que (a Venezuela) tem excesso (de democracia).”
(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 30 de setembro de 2005, durante visita do Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao Brasil)
A esquerda brasileira sempre foi pródiga em exemplificar o dito popular dois pesos, duas medidas. O que é feito em prol da causa, parece ser sempre correto e louvável; o que é feito pelos detratores da causa, é condenável e passível de sofrer as maiores arbitrariedades sem que, por conta disso, nenhuma voz se levante em defesa dos ideais democráticos que a esquerda brasileira parece ser tão empenhada em defender - ao menos em seu discurso. Exemplos disso são inúmeros e, em tempos de mensalão e Valerioduto, parecem se multiplicar no panorama das disputas políticas que, seja na direita ou na esquerda, parecem só vislumbrar à frente o ano eleitoral de 2006.
Mas falávamos das incongruências da esquerda brasileira - a mesma que, atualmente, empenha-se em convencer a opinião pública brasileira que caixa dois de campanha eleitoral não é crime -, e a Revista Veja, em sua edição de 14 de dezembro de 2005, fez-me relembrar a referência de Luiz Inácio Lula da Silva ao Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, quando da visita deste ao Brasil - uma visita que foi festejada pela esquerda brasileira dos mais diversos matizes. O semanário publicou uma extensa reportagem, feita por seu correspondente em Caracas, Diogo Schelp, sobre a política chavista que - é sempre bom lembrar - Lula classificou como “excesso de democracia”. (…) Chávez é elogiado pela esquerda brasileira por seus programas sociais. Em verdade, o presidente da Venezuela está virtualmente empregando todo o dinheiro do petróleo extraído de seu país para financiar sindicatos, cooperativas, programas sociais e até mesmo uma rede de supermercados popular. Tudo isso seria louvável se, por trás da intenção aparentemente boa, não houvesse o movimento do governo no sentido de fechar indústrias privadas (sobretudo as que pertencem aos opositores), invadir fazendas consideradas improdutivas (por meio de movimentos sociais patrocinados pelo governo, que avançam sobre propriedades rurais indicadas por ele e com a garantia de posse para os invasores) e subsidiar a produção das cooperativas populares comprando toda a produção desses centros locais de manufatura. (…) Hugo Chávez está, em verdade, alimentando a pobreza, em um movimento que o escritor estadunidense Thomas Friedman chama de “Coalizão para Manter os Pobres Pobres”: suas políticas estão provocando a redução de postos de trabalho e construindo uma total dependência das camadas mais pobres da população às políticas sociais do governo - tudo isso sustentado pelo preço do barril de petróleo no comércio mundial (…).
No Brasil, não se enganem, há seguidores de Hugo Chávez, gente suficiente para causar rebuliço e cenas de tietagem impensáveis para visitas de líderes políticos ao Brasil (vi com meus próprios olhos, em Porto Alegre, quando ele fez um discurso inflamado para uma platéia eufórica no Fórum Social Mundial) - pessoas que aplaudem sua conversa de unidade bolivarianista sem se perguntar qual o preço a ser cobrado por tantas benesses. (…) (LEIA O TEXTO COMPLETO ABAIXO)
“Eu não sei se a América Latina teve um presidente com as experiências democráticas colocadas em prática na Venezuela. Poderia até se dizer que (a Venezuela) tem excesso (de democracia).”
(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 30 de setembro de 2005, durante visita do Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao Brasil)
A esquerda brasileira sempre foi pródiga em exemplificar o dito popular dois pesos, duas medidas. O que é feito em prol da causa, parece ser sempre correto e louvável; o que é feito pelos detratores da causa, é condenável e passível de sofrer as maiores arbitrariedades sem que, por conta disso, nenhuma voz se levante em defesa dos ideais democráticos que a esquerda brasileira parece ser tão empenhada em defender - ao menos em seu discurso. Exemplos disso são inúmeros e, em tempos de mensalão e Valerioduto, parecem se multiplicar no panorama das disputas políticas que, seja na direita ou na esquerda, parecem só vislumbrar à frente o ano eleitoral de 2006.
Mas falávamos das incongruências da esquerda brasileira - a mesma que, atualmente, empenha-se em convencer a opinião pública brasileira que caixa dois de campanha eleitoral não é crime -, e a Revista Veja, em sua edição de 14 de dezembro de 2005, fez-me relembrar a referência de Luiz Inácio Lula da Silva ao Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, quando da visita deste ao Brasil - uma visita que foi festejada pela esquerda brasileira dos mais diversos matizes. O semanário publicou uma extensa reportagem, feita por seu correspondente em Caracas, Diogo Schelp, sobre a política chavista que - é sempre bom lembrar - Lula classificou como “excesso de democracia”. Então, vejamos alguns exemplos da democracia venezuelana que alguns políticos da esquerda brasileira sonham em implementar no nosso país.
Em 4 de dezembro de 2005, uma eleição na qual apenas 25% (vinte e cinco por cento, ou seja, um quarto) dos eleitores compareceram às urnas, Hugo Chávez obteve 100% (cem por cento) das cadeiras da Assembléia Nacional - pelo simples fato de que a oposição recusou-se a participar de um pleito no qual a parcialidade da Justiça Eleitoral - formada por juízes chavistas - era gritante a favor do governo central; mas, enfim, todos os eleitos são do governo, o que é, aos olhos de Chávez e seus seguidores, mais um sinal da popularidade do presidente. O que eles parecem querer mascarar é de que forma esta popularidade vem sendo construída. Uma das primeiras medidas de Chávez foi aprovar instrumentos legais que permitiram que ele substituísse funcionários públicos, juízes e promotores públicos por pessoas de sua confiança - o resultado disso é que o Ministério Público da Venezuela está sendo acusado por organizações não-governamentais independentes de processar os adversários políticos de Chávez sob o argumento de “traição à pátria” - um eufemismo para encobrir acusações de “traição ao presidente”, ou seja, oposição ao governo. Além disso, os magistrados atuam sob contratos temporários de três meses, os quais não são renovados caso o juiz tenha exarado qualquer decisão contrária aos interesses do governo. Os funcionários da estatal do petróleo da Venezuela que foram demitidos depois de uma greve geral contrária a Chávez estão em uma lista negra que os impede de arrumar qualquer emprego público e até mesmo de conseguir vagas em empresas privadas, já que o governo tem patrulhado as empresas em busca de opositores ao governo de Chávez - recentemente foi revelada a existência de um sistema que associava o voto do eleitor ao seu número do título eleitoral, o que veio à tona com a divulgação de um compact-disc de dados com informações sobre cerca de doze milhões de eleitores, e que estaria sendo usado pelos agentes do governo; na ficha eletrônica constam o nome, título eleitoral e orientação política de cada eleitor.
Chávez é elogiado pela esquerda brasileira por seus programas sociais. Em verdade, o presidente da Venezuela está virtualmente empregando todo o dinheiro do petróleo extraído de seu país para financiar sindicatos, cooperativas, programas sociais e até mesmo uma rede de supermercados popular. Tudo isso seria louvável se, por trás da intenção aparentemente boa, não houvesse o movimento do governo no sentido de fechar indústrias privadas (sobretudo as que pertencem aos opositores), invadir fazendas consideradas improdutivas (por meio de movimentos sociais patrocinados pelo governo, que avançam sobre propriedades rurais indicadas por ele e com a garantia de posse para os invasores) e subsidiar a produção das cooperativas populares comprando toda a produção desses centros locais de manufatura. A rede de supermercados populares Mercal, mantida pelo governo venezuelano, estaria levando os mercados e quitandas populares à falência, por vender produtos da cesta básica com até 40% (quarenta por cento) de desconto; os mercados do governo, aliás, têm servido bem à causa: as embalagens dos produtos Mercal trazem estampadas toda sorte de propaganda chavista.
Insisto em dizer que, em um continente empobrecido como a América Latina, é supreendente o empenho de um presidente no combate à pobreza. Mas Hugo Chávez está, em verdade, alimentando a pobreza, em um movimento que o escritor estadunidense Thomas Friedman chama de “Coalizão para Manter os Pobres Pobres”: suas políticas estão provocando a redução de postos de trabalho e construindo uma total dependência das camadas mais pobres da população às políticas sociais do governo - tudo isso sustentado pelo preço do barril de petróleo no comércio mundial, que saltou dos US$ 11 (onze dólares estadunidenses) no início da era Chávez para os US$ 50 (cinqüenta dólares estadunidenses) atuais. Além disso, a generosidade bolivariana (Chávez adora mencionar o nome de Simon Bolívar em vão, herança dos tempos de militar) tem sido expandida a vários países do mundo: Cuba tem sido beneficiada por uma balança comercial esquizofrênica, na qual Hugo Chávez doa petróleo e recebe, em troca, os itens da produção cubana que não são comercializáveis para outros países; na Bolívia, Chávez patrocinou a campanha de Evo Morales em 2002 para a presidência; na Argentina, foi magnânimo em comprar 100% (cem por cento) dos títulos da dívida pública argentina que estavam encalhados, sem compradores interessados no mercado internacional; até os Estados Unidos da América tiveram sua fatia da benevolência de Chávez, que está a vender óleo a preço módico para comunidades pobres de Nova Iorque e Boston.
Um pouco do excesso de democracia venezuelana foi quase implementado por aqui, quando o governo Lula tentou, subrepticiamente, implementar controles sobre a imprensa brasileira através de um conselho que seria facilmente transformável em censura em um segundo momento; Chávez não implementou ainda a censura prévia, mas tem leis a seu favor que lhe permitem estancar concessões de rádio e televisão quando bem entender. Mas o seu instrumento preferido de controle da imprensa tem sido o uso livre de horários políticos gratuitos em rede nacional de rádio e televisão; ele tem respaldo legal para entrar em cadeia nacional quando quiser, e usa-se disso indiscriminadamente: entre janeiro e setembro de 2005, foram cento e setenta e sete intervenções, totalizando trinta e sete mil minutos de exposição em mídia eletrônica - não estando computados aí as cinco horas semanais que ele tem na programação dominical de todas as emissoras, em um programa no qual usa sua retórica populista para criticar a imoralidade do lucro e a falência do sistema capitalista, que ele diz ser “contrário aos interesses do povo”.
No Brasil, não se enganem, há seguidores de Hugo Chávez, gente suficiente para causar rebuliço e cenas de tietagem impensáveis para visitas de líderes políticos ao Brasil (vi com meus próprios olhos, em Porto Alegre, quando ele fez um discurso inflamado para uma platéia eufórica no Fórum Social Mundial) - pessoas que aplaudem sua conversa de unidade bolivarianista sem se perguntar qual o preço a ser cobrado por tantas benesses. Diante de tudo isso, e relembrando que nosso atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera a Venezuela um exemplo de democracia no continente americano, resta-nos vigiar e orar, usando a expressão evangélica, para que tal arremedo de poder do povo, pelo povo e para o povo jamais se instale em nosso país.
Não aguento esta visão binária da realidade. Tanto na direita como na esquerda. Mas, idolatrar Chávez? É surpreendente mas existe e só mostra o quanto caiu a esquerda desde que um muro caiu em sua cabeça.
O filósofo madrilenho José Ortega y Gasset já dizia em seu "A Rebelião das Massas" que "ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser um imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral". Já era mesmo hora, meu querido Weiss, como você tão bem sugeriu, de abandonarmos esta visão "binária" da realidade política, sobretudo em um país como o nosso, no qual as palavras "esquerda" e "direita" são, cada vez mais, penduricalhos sem valor intrínseco, ideológico ou moral nenhum.
Aliás, o livro de Ortega y Gasset "A Rebelião das Massas" está disponível na Internet: http://www.culturabrasil.pro.br/rebeliaodasmassas.htm. É um livro quase profético sobre o que seria a política dos últimos anos do século XX e, ao que parece, dos primeiros anos deste nosso século XXI.
O Lula pertence ao Filo dos Muluscas portanto e um animais de corpo mole cujo o sistema nervoso sao pares de gânglios unidos por cordões nervosos , os mais importantes são os cerebróides , ha também os pedais e os viscerais …ou seja, ele e um IDIOTA.