Inocente contravenção
Ontem, 26 de novembro, estive a navegar pela rede mundial de computadores e, por curiosidade e total falta de outra diversão a meu alcance, pus-me a procurar palavras aleatórias no mais famoso dos programas de busca da atualidade. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com um fato no mínimo inusitado e curioso: descobri pelo menos quatro de meus poemas publicados em sítios brasileiros na Internet. Tenho por hábito, na busca constante que faço por leitores com quem eu possa dialogar por meio de meus escritos, deixar publicados textos meus, em grande parte poesias, em páginas à disposição de todos na rede mundial de computadores. A divulgação de meus trabalhos, sendo assim, é muito válida e auxilia-me em minha tentativa de arregimentar novos leitores - posto que, sem eles, não há o escritor. Não há teatro sem platéia e música sem ouvidos que as interpretem ao coração. Mas o que me causa estranheza é o fato de alguns dos leitores que os programas de busca fizeram conhecer minha limitada obra poética terem decidido levar minha poesia a outros internautas - mas sem a inclusão de minha autoria para tais poemas bissextos. (…) Será que a facilidade de acesso e, o que considero ainda mais genial em se tratando da Internet, a maneira descomplicada de se produzir e publicar material por meio da rede mundial de computadores, tirou das pessoas a importância e o cuidado que se deve ter pelo trabalho daquele que escreve? Afinal, o mesmo webmaster que foi capaz de copiar meus textos com uma combinação fácil de chaves do teclado, não foi atento o bastante para copiar o nome que vinha ali, junto ao poema furtado - o nome que estabelece a autoria? Por que uma das pessoas que encontrei a citar os poemas meus preocupou-se em citar o poeta, em uma simples lista de poemas preferidos, e outros não tiveram a mesma iniciativa? Confesso que não me tirou o sono tal descoberta. (…) Mas me pergunto como deve se sentir um autor de renome ao ver um texto seu a viajar pelas estradas virtuais da rede sem a autoria reconhecida pelo texto ou, o que é talvez ainda pior, com uma autoria apócrifa a ele atribuída. (…)(LEIA O TEXTO COMPLETO ABAIXO)
Ontem, 26 de novembro, estive a navegar pela rede mundial de computadores e, por curiosidade e total falta de outra diversão a meu alcance, pus-me a procurar palavras aleatórias no mais famoso dos programas de busca da atualidade. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com um fato no mínimo inusitado e curioso: descobri pelo menos quatro de meus poemas publicados em sítios brasileiros na Internet.
Tenho por hábito, na busca constante que faço por leitores com quem eu possa dialogar por meio de meus escritos, deixar publicados textos meus, em grande parte poesias, em páginas à disposição de todos na rede mundial de computadores. A divulgação de meus trabalhos, sendo assim, é muito válida e auxilia-me em minha tentativa de arregimentar novos leitores - posto que, sem eles, não há o escritor. Não há teatro sem platéia e música sem ouvidos que as interpretem ao coração. Mas o que me causa estranheza é o fato de alguns dos leitores que os programas de busca fizeram conhecer minha limitada obra poética terem decidido levar minha poesia a outros internautas - mas sem a inclusão de minha autoria para tais poemas bissextos.
O curioso é que, em quase todas as poucas páginas que encontrei, meus poemas eram servidos ao público em geral como leitura de auto-ajuda, em espaços enfeitados com imagens meigas de anjos e bailarinas, animais antropomórficos ou seres imaginários e, céus, composições visuais românticas na mais tola acepção desse adjetivo mal incorporado à língua nossa.
Decerto que a Internet abriu para todos um mundo inteiro de informações cuja facilidade de acesso faz-nos esquecer do tempo em que quaisquer pesquisas escolares eram realizadas com base nas quilométricas enciclopédias - que os mais abastados tinham ao alcance em suas próprias casas e que os menos favorecidos, como eu, iam consultar nas bibliotecas escolares. Mas será que a facilidade de acesso e, o que considero ainda mais genial em se tratando da Internet, a maneira descomplicada de se produzir e publicar material por meio da rede mundial de computadores, tirou das pessoas a importância e o cuidado que se deve ter pelo trabalho daquele que escreve? Afinal, o mesmo webmaster que foi capaz de copiar meus textos com uma combinação fácil de chaves do teclado, não foi atento o bastante para copiar o nome que vinha ali, junto ao poema furtado - o nome que estabelece a autoria? Por que uma das pessoas que encontrei a citar os poemas meus preocupou-se em citar o poeta, em uma simples lista de poemas preferidos, e outros não tiveram a mesma iniciativa?
Confesso que não me tirou o sono tal descoberta. Afinal, tenho o registro daqueles poemas reproduzidos em páginas dedicadas ã “paixão e à sedução”, aos “anjos de cada um de nós” ou a outras causas igualmente questionáveis como motivação para a construção de espaços novos na Internet. Em verdade, fiquei na dúvida se pedia, nas mensagens que enviei aos autores de tais páginas, para que eles dessem aos textos o crédito devido ou, pelo menos, reprensassem a enxurrada de figuras melosas e dizeres insossos associados aos meus pobres textos. Mas me pergunto como deve se sentir um autor de renome ao ver um texto seu a viajar pelas estradas virtuais da rede sem a autoria reconhecida pelo texto ou, o que é talvez ainda pior, com uma autoria apócrifa a ele atribuída. Isso sem termos ainda falado do fenômeno mais recente do mundo cibernético: a falsa autoria de um escritor renomado em textos que não são de sua lavra, mas para os quais seus autores anônimos buscam importância e gravidade assinando-os falsamente com nomes de grandiosos e conhecidos escritores.
Creio que nos dias atuais, em que as leis brasileiras são relativizadas a tal ponto de transformar a compra de produtos pirateados em uma inocente contravenção, como já ouvi dos lábios de uma autoridade policial do Rio Grande do Sul, a preocupação de atribuir a autêntica autoria de um reles poema extraído de uma página aberta da Internet é algo que não deve tirar mesmo o sono de ninguém. Nem mesmo de um certo Don Juan, de vinte e cinco anos de idade, que usou um de meus poemas de amor como arma de sedução em um fotolog de sua autoria, dedicado às mulheres e à sensualidade, em suas próprias palavras.
Talvez só me reste mesmo desejar a ele boa sorte em suas conquistas, já que meu texto transformou-se em seu por conta, quem sabe, de seu afã por obter favores do sexo feminino. Que ao menos meu poema lhe sirva para algo na vida, já que não prestou para ensinar cuidados outros que se deve ter com o trabalho criativo alheio.