Monday, November 21, 2005

Maternidade irresponsável

Há um tipo de crime que se repete continuamente no Brasil e que pouco discutimos, pouco observamos, mas para o qual somos despertados periodicamente por histórias como esta que pude descobrir por uma minúscula nota nos jornais de hoje, dia 21 de novembro de 2005.  No interior de São Paulo, no município de Itápolis, um bebê de apenas três meses de vida foi encontrado morto pela família de sua mãe, que fora lhe fazer uma visita na manhã de domingo. (…) a mãe, de trinta e um anos de idade, deixara a criança trancada em casa ao sair no sábado, às onze horas da noite, para ir a um forró, do qual só regressaria às 12h45 do dia seguinte, quando foi então presa pela polícia em flagrante por abandono de incapaz e homicídio culposo. (…) A legislação brasileira é bem clara quanto ao crime de abandono de incapaz (…) mas escapa ao entendimento o que leva as mães a cometerem um crime que, aos olhos de qualquer pessoa, não tem explicação plausível. (…) Tratam-se de mães que optam por se livrar de um problema - a salvaguarda de seus filhos - para garantir um momento de prazer sem culpa. (…) E quem poderá se contrapor a um argumento tão afinado com o pensamento atual? (LEIA O TEXTO COMPLETO ABAIXO)
Há um tipo de crime que se repete continuamente no Brasil e que pouco discutimos, pouco observamos, mas para o qual somos despertados periodicamente por histórias como esta que pude descobrir por uma minúscula nota nos jornais de hoje, dia 21 de novembro de 2005.

No interior de São Paulo, no município de Itápolis, um bebê de apenas três meses de vida foi encontrado morto pela família de sua mãe, que fora lhe fazer uma visita na manhã de domingo. A razão da morte do bebê é ainda um mistério a ser investigado pelos legistas do Instituto Médico-Legal, mas as circunstâncias que levaram a pobre criança ao óbito são claras para a polícia e para os familiares que encontraram a vítima: a mãe, de trinta e um anos de idade, deixara a criança trancada em casa ao sair no sábado, às onze horas da noite, para ir a um forró, do qual só regressaria às 12h45 do dia seguinte, quando foi então presa pela polícia em flagrante por abandono de incapaz e homicídio culposo.

O caso fez-me recordar da mãe carioca que, há alguns meses, foi presa por ter deixada trancada em um automóvel, em um canto escuro de um estacionamento ao ar livre, a filha de um ano e meio de idade para ir fazer compras em uma liquidação de roupas em um shopping center; ou ainda o caso de outra mãe, de dezenove anos, que deixou seu bebê de cinco meses de idade no porta-malas de um automóvel, em Balneário Camboriú, para aproveitar a noite com amigos em uma casa noturna.

A legislação brasileira é bem clara quanto ao crime de abandono de incapaz - qualquer pessoa que por motivo de saúde física ou mental, ou ainda pela idade, não pode se manter ou garantir a própria segurança sem ajuda de outrem. As penas previstas variam de seis meses a seis anos de prisão, dependendo das lesões sofridas pelo incapaz ou de seu óbito. Mas escapa ao entendimento o que leva as mães a cometerem um crime que, aos olhos de qualquer pessoa, não tem explicação plausível. E não falamos de mães que, premidas pela necessidade, deixam seus filhos mais velhos cuidando dos mais novos em casa enquanto saem para garantir o pão de todos, situação tão comum em nossos bairros pobres do Brasil. Tratam-se de mães que optam por se livrar de um problema - a salvaguarda de seus filhos - para garantir um momento de prazer sem culpa.

Arrisco-me a dizer que as três situações que citamos anteriormente têm estreita ligação com um conceito que impregna os ares de nossa sociedade brasileira contemporânea - o de que todos têm direito a tudo, ao prazer sem compromisso e aos direitos sem deveres. Paternidade e maternidade são compromissos de uma vida inteira - ao menos, assim deveriam ser vistos. No entanto, a pregação da liberação sexual, do intercurso carnal inconseqüente, leva-nos ao surgimento diário de novos pais e mães sem qualquer estrutura, moral ou financeira, para conduzir adiante a tarefa de proteger e educar uma criança. Como conciliar uma função de tamanha responsabilidade como essa com a idéia de que a vida é um eterno playground no qual os homens foram colocados para a total saciedade de seus prazeres e para a euforia eterna? A resposta é simples: basta ignorar a responsabilidade - como, aliás, torna-se comum fazer nos dias de hoje, quando mais e mais são ignoradas as regras de convívio em sociedade e os deveres de cidadão - e deixar o filho indefeso trancado em casa, no carro, no porta-malas. E a analogia é simples, pareço mesmo ouvir a mente daquelas mulheres a matutar que “trancafiada, mantida por detrás de uma porta e de chaves e vidros, a criança que me atrapalha a diversão estará protegida do mundo externo, não me perturbará a noite de festa e não fará com que outras pessoas reclamem da minha opção pela distração - afinal, também tenho o direito de curtir a vida!”

E quem poderá se contrapor a um argumento tão afinado com o pensamento atual?

Posted by Frizero at 16:32:56 | Permalink | Comments (2)