Ulisses

Afogados viemos todos
Dar nesta praia obtusa
Ensurdecidos com o canto
D’alguma obscura musa
E na ancoragem confusa
Neste torrão isolado
Nosso medo e nosso espanto
Relegamos ao passado.
O motivo anunciado
De nossa distante partida
Já não importava tanto,
Já não era a nossa vida
Mas uma herança perdida
Em algum ponto da viagem -
Em tempestades de pranto
Ou n’algum sopro de aragem
Que nos levou a bagagem
Que já não fará mais falta:
Os sonhos e o desencanto
Desta vida de argonauta,
Este navegar sem norte,
Este lançar-se à sorte
De deuses e desenganos
Sobejamente inumanos.
Da obra
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(2006)
(Robertson Frizero Barros)
Posted by
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20:47:06
Oieee Betoo! Pois uma disculpa por tardar em olhar O Locutório. Acho que li algo em ORKUT. PARABENS!!! Nao conhecia esta faceta tua de poeta!!!
Sería legal partilhar poesías.
Um abraco, Marce
devia ter as personagens principais e secundárias do livro “ulisses”
márcia leonor brito machado marques, obrigado pelo comentário… Bem, o poema quer apenas usar como intertexto algumas peripécias da “Odisséia”, nada mais… Não é exatamente uma tentativa de recontar a brilhante epopéia de Homero…