Tuesday, October 11, 2005

Floribella no país da manipulação das pesquisas

Surpreendo-me com uma notícia que saiu nos jornais de hoje(…)Floribella , refilmagem brasileira de um dos maiores sucessos da televisão argentina,(…)apesar de seu baixíssimo índice de audiência pelos números do Ibope - algo em torno de cinco pontos -, irá ganhar uma nova temporada em 2006. O que é mais curioso nesta notícia absolutamente sem importância, é que a emissora de televisão tomou esta decisão baseada nos números relativos à franquia da novela - a venda de sapatos, álbuns de figurinhas, CD, toques de celular e todo um leque de produtos licenciados com a marca Floribella tiveram uma vendagem recorde para produtos desse tipo. (…)Por essas e outras é que acredito ser Floribella a mais recente vítima da fúria manipuladora dos institutos de pesquisa no Brasil. (LEIA O TEXTO COMPLETO ABAIXO)

Surpreendo-me com uma notícia que saiu nos jornais de hoje e que pouca ou nenhuma atenção deve ter recebido do grande público, sobretudo em um país como o nosso, no qual o hábito da leitura já não faz parte do cotidiano da maioria dos habitantes: a novela infantil (em todos os sentidos…) Floribella , refilmagem brasileira de um dos maiores sucessos da televisão argentina, lá chamada de Floricienta em referência à história da Gata Borralheira dos contos infantis, apesar de seu baixíssimo índice de audiência pelos números do Ibope - algo em torno de cinco pontos -, irá ganhar uma nova temporada em 2006.

O que é mais curioso nesta notícia absolutamente sem importância, é que a emissora de televisão tomou esta decisão baseada nos números relativos à franquia da novela - a venda de sapatos, álbuns de figurinhas, CD, toques de celular e todo um leque de produtos licenciados com a marca Floribella tiveram uma vendagem recorde para produtos desse tipo: um tênis como o usado pela protagonista vendeu mais de setenta e cinco mil pares em poucos meses; a boneca inspirada na mesma personagem já vendeu mais de sessenta e cinco mil unidades e a expectativa até o Natal é de que as vendas superem as cento e cinqüenta mil unidades; trezentos e dezessete mil “ringtones” com músicas da novela foram baixados e o CD com a trilha sonora ganhou disco de ouro em menos de dois meses, já tendo atingido a marca de cento e vinte e cinco mil cópias; o álbum de figurinhas saiu com uma tiragem de duzentos mil exemplares e já foram vendidos mais de quatro milhões e trezentos mil envelopes de figurinhas.

Mas, ó tempos, ó costumes, por que estaria eu preocupado com o que Floribella vendeu ou deixou de vender? Minha surpresa reside no fato de que estamos falando em números extraordinários de vendas de produtos licenciados em um país como o nosso, um forte candidato a “pátria da pirataria e do contrabando” no cenário mundial - e, sobretudo, de que estes números de modo algum se coadunam com os números de audiência divulgados, o famoso Ibope. Há que se imaginar o quanto a marca Floribella está rendendo ao comércio ilegal em todo o país, um valor talvez em igual ordem de grandeza que os produtos licenciados e legais, mas ainda impossível de mensurar tamanha é a dimensão do mercado do contrabando e do descaminho no Brasil. Portanto, como aceitar que algo de tamanho sucesso comercial tenha pífios cinco pontos de audiência televisiva no Ibope?

Creio que não é “teoria da conspiração” suspeitar que algo está errado em relação a tudo isso. E minhas dúvidas levam-me a meditar sobre o quanto de manipulação existe nas pesquisas de opinião realizadas em nosso país. Em um breve vasculhar de memória, é possível nomear diversas ocasiões, em nossa recente vida política como país democrático, nas quais as pesquisas apontaram caminhos totalmente diversos da realidade das urnas, algumas delas em uma clara tentativa de manipulação da vontade do eleitorado.

No Brasil, em tempos de campanha política, os números oriundos de tais pesquisas são apresentados como verdades inquestionáveis - vemos isso, por exemplo, no presente momento, em plena campanha pelo referendo pela proibição do comércio legal de armas de fogo, na qual um dos lados tenta nos provar com números pouco detalhados que a maioria das vítimas de armas de fogo no Brasil, um país no qual há localidades dentro das grandes metrópoles que vivem um clima próximo ao de uma guerra civil declarada, morrem nas mãos de civis em brigas de trânsito… É possível aceitar essa nova realidade dos números e ignorar o que vemos na realidade do nosso cotidiano das grandes cidades?

Por essas e outras é que acredito ser Floribella a mais recente vítima da fúria manipuladora dos institutos de pesquisa no Brasil.

Posted by Frizero at 12:34:07 | Permalink | Comments (6)