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Leio nos jornais de hoje a notícia da agressão sofrida por uma adolescente marroquina de 13 anos na Itália.(…) A notícia entristeceu-me e fez com que eu me lembrasse dos casos que eu conheci e até mesmo presenciei quando estive na Europa há doze anos atrás.
Leio nos jornais de hoje a notícia da agressão sofrida por uma adolescente marroquina de 13 anos na Itália. A menina foi fisicamente agredida, xingada com expressões racistas e, para assinar a ‘obra’, os agressores ainda arranharam o braço da jovem com uma pedra, formando o desenho de uma suástica. O fato aconteceu na pequena cidade de Tollegno e a menina, filha de pai italiano e mãe marroquina, foi atacada enquanto ia para a escola por três rapazes que há tempos vinham assediando a jovem, chamando-a de ‘imigrante’ e mandando que ela fosse embora do ‘país deles’.
A notícia entristeceu-me e fez com que eu me lembrasse dos casos que eu conheci e até mesmo presenciei quando estive na Europa há doze anos atrás: um grupo de banhistas em um balneário do Mediterrâneo que se recusou a fazer um cordão de salvamento para uma menina de cinco anos de idade que se afogava por ser ela ‘apenas uma imigrante’; um marroquino que foi espancado na Holanda por policiais depois de bater com o automóvel em um hidrante por estar tendo um ataque do coração; um outro marroquino que teve lesões cerebrais por ter tido sua respiração interrompida por uma fita autocolante que policiais lhe colocaram na boca para que parasse de gritar em sua ‘irritante língua estrangeira’.
O caso que mais me chocou, talvez pela proximidade que tive do ocorrido, aconteceu com um companheiro meu de viagem. Estávamos na Bélgica, em Antuérpia, e ele falava ao telefone com a família no Brasil. Por ser negro e estar falando em português, foi violentamente agredido por um grupo de jovens com suas botas negras e cabeças raspadas. Meu amigo só não teve maiores complicações por ser praticante de artes marciais e ter conseguido proteger o rosto com os braços, em posição defensiva. Mesmo assim, ele passou boa parte da viagem recuperando-se dos ferimentos no corpo, dos cortes no rosto e da ferida na gengiva rasgada por um chute de um dos belgas revoltados com o possível ‘imigrante’ que lhe invadia a bela terra natal.
Não proclamo aqui, com estes relatos, ódio algum a quem quer que seja, boicote ou levante contra os europeus. Apenas queria registrar minha indignação aos que insistem em buscar no estrangeiro os modelos de civilização que deveriam, em sua opinião, ser implementados no Brasil para que nos tornássemos ‘um país de primeiro mundo’. Creio que já é hora de buscarmos nosso caminho a nosso modo, dentro das crenças que temos de que país queremos para nós todos. Espelhar-se em modelos que nossa visão de estrangeiros pinta com cores suaves pode ser uma terrível armadilha para o nosso futuro como nação.